Defesa de Zambelli aciona Corte de Cassação na Itália para barrar extradição

A defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli apresentou, nesta sexta-feira (10 de abril de 2026), um recurso à Corte de Cassação da Itália, a instância máxima do judiciário italiano. O objetivo é reverter a decisão da Corte de Apelação de Roma que, em março, autorizou a extradição da ex-parlamentar para o Brasil.
Zambelli está detida em Roma desde julho de 2025, após ter deixado o Brasil pouco antes de sua condenação definitiva pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A ex-deputada possui dupla cidadania, fator que tem sido central na estratégia da defesa para mantê-la em solo europeu.

Argumentos da defesa e próximos passos

O advogado Fábio Pagnozzi, que representa Zambelli, fundamenta o recurso em dois pilares principais:

  • Falta de correspondência penal: A defesa alega que o crime de “hackeragem” (invasão de sistema informático), pelo qual ela foi condenada no Brasil, não possui uma equivalência exata na legislação italiana que justifique a extradição.
  • Irregularidades processuais: Questiona-se a validade formal do pedido enviado pelas autoridades brasileiras, alegando que houve falhas na origem da documentação.
    A Corte de Cassação tem um prazo estimado de até seis meses para analisar o caso. Diferente das instâncias anteriores, este tribunal avalia apenas se as leis foram aplicadas corretamente, sem reexaminar provas ou fatos do crime.

O contexto das condenações

Carla Zambelli foi condenada pelo STF a uma pena de 10 anos de prisão por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica. Segundo o processo, ela teria contratado o hacker Walter Delgatti Neto para inserir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes no sistema oficial.
Além desse caso, a ex-parlamentar acumula outra condenação de cinco anos e três meses de reclusão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, referente ao episódio em que perseguiu um homem armada em São Paulo, na véspera das eleições de 2022.

Nota Jurídica: Caso a Corte de Cassação mantenha a decisão favorável à extradição, a palavra final não será do judiciário, mas sim política. O Ministério da Justiça da Itália, sob o governo de Giorgia Meloni, deverá dar o veredito administrativo sobre o retorno ou não de Zambelli ao Brasil.

Se o processo seguir para a execução da extradição, a ex-deputada deverá ser entregue à Interpol e transportada para Brasília, onde a previsão é de que cumpra pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.

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