Forças de Israel matam três jornalistas em Gaza e no Líbano em 24 horas

Em uma escalada de violência contra profissionais de imprensa, as Forças de Defesa de Israel (FDI) foram responsáveis pela morte de três jornalistas em menos de 24 horas. Os ataques ocorreram nesta quarta e quinta-feira, atingindo alvos na Faixa de Gaza e no sul do Líbano, reforçando o alerta de organizações internacionais sobre a segurança de civis e comunicadores na região.

Detalhes das ocorrências

As vítimas foram identificadas por suas respectivas emissoras e por órgãos de direitos humanos:

  • Em Gaza: O jornalista Mohammed Wishah, da rede Al Jazeera, foi morto na quarta-feira (8 de abril) após um ataque de drone atingir seu veículo na estrada Al-Rashid, ao oeste da Cidade de Gaza.
  • No Líbano: Dois profissionais perderam a vida em bombardeios no sul do país. Ali Shuaib, correspondente da emissora Al Manar, e a repórter Fatima Ftouni, da rede Al Mayadeen. Ftouni foi atingida junto ao seu irmão e cinegrafista, Mohammed Ftouni, enquanto desempenhavam suas funções profissionais.
    Israel justificou o ataque contra Ali Shuaib alegando que o profissional seria um “agente operacional” disfarçado, acusação frequentemente utilizada pelas FDI contra jornalistas de veículos alinhados a grupos como o Hezbollah e o Hamas, mas que é veementemente negada pelas emissoras e por sindicatos de classe.

Um cenário de recordes trágicos

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) e a Federação Internacional de Jornalistas apontam que o atual conflito no Oriente Médio é o mais letal da história moderna para a categoria. Dados recentes indicam um panorama devastador:

  • Balanço de 2025: No ano passado, foram registrados 129 assassinatos de jornalistas em todo o mundo, sendo que mais de 80 dessas mortes foram atribuídas a ações de Israel.
  • Imprensa sob cerco: A Al Jazeera, em particular, tem sido um dos alvos mais frequentes, com seis profissionais mortos apenas nos primeiros meses de 2026.

“O assassinato de jornalistas em Gaza e no Líbano não é incidental – é parte de um ataque mais amplo à liberdade de imprensa”, afirmou o CPJ em comunicado oficial emitido nesta quinta-feira (9).

Reações internacionais

O governo libanês classificou os recentes ataques como um “crime flagrante” e uma violação direta do direito internacional humanitário, que garante proteção a jornalistas como civis em zonas de guerra. Em contrapartida, as autoridades israelenses mantêm o posicionamento de que seus alvos são estritamente militares ou indivíduos ligados a grupos terroristas, embora as evidências de ataques a veículos de imprensa identificados continuem a surgir.
A comunidade internacional e grupos de defesa da liberdade de expressão pressionam agora por investigações independentes, enquanto o número de profissionais de mídia mortos no Líbano sobe para sete desde o início das hostilidades recentes.

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