Impasse na ONU: China, Rússia e França resistem a proposta de força militar no Estreito de Ormuz

​O Conselho de Segurança das Nações Unidas vive dias de intensa paralisia diplomática diante da crise no Estreito de Ormuz. Uma proposta de resolução liderada pelo Bahrein, que exerce a presidência rotativa do conselho, busca autorizar o uso de “todos os meios necessários” — um eufemismo diplomático para intervenção militar — a fim de garantir o fluxo de embarcações na região. No entanto, o texto enfrenta forte resistência de três membros permanentes com poder de veto: China, Rússia e França.

​Nesta quinta-feira (2), o ministro do Exterior do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, elevou o tom durante reunião em Nova York. Ele classificou o bloqueio iraniano como “ações irresponsáveis e ilegítimas” e exigiu que a comunidade internacional não permita que uma das artérias mais vitais do comércio global seja controlada de forma unilateral.

Divergências e adiamentos

A votação, originalmente prevista para esta sexta-feira, foi adiada para este sábado (4) ou para o início da próxima semana. O adiamento ocorreu após China, Rússia e França romperem o chamado “procedimento de silêncio”, sinalizando que não aceitarão a redação atual.

​Os pontos centrais da discordância são:

  • O uso da força: China e Rússia, aliados tradicionais do Irã, argumentam que a resolução, da forma como está escrita, serviria como um “cheque em branco” para uma escalada militar catastrófica.
  • Soberania e Diálogo: A França, embora preocupada com a segurança marítima, tem adotado uma postura mais cautelosa que os Estados Unidos, defendendo medidas defensivas limitadas e uma solução diplomática para evitar que o conflito entre Israel, EUA e Irã se transforme em uma guerra regional total.
  • Mudança de termos: Para tentar destravar a negociação, o Bahrein removeu referências explícitas ao Capítulo VII da Carta da ONU (que autoriza ações coercitivas) e alterou o texto para “meios defensivos necessários”. Mesmo assim, Pequim e Moscou permanecem céticos.

Impacto global e econômico

A urgência da proposta reflete o pânico nos mercados de energia. O Estreito de Ormuz é responsável pela passagem de cerca de 20% do petróleo mundial. Desde o início dos ataques e da instalação de minas navais, atribuídos ao regime de Teerã em retaliação a ofensivas israelenses e americanas, o preço do barril de petróleo disparou, atingindo a marca de US$ 109 nesta semana.

​Enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, mantém a promessa de continuar ataques contra alvos iranianos e pressiona pela reabertura do canal, o impasse na ONU deixa o tráfego comercial em um limbo perigoso, com seguradoras elevando custos e navios petroleiros evitando a rota por tempo indeterminado.

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