Inteligência artificial da FEI e Unifesp identifica dor em recém-nascidos com alta precisão


Pesquisadores do Centro Universitário FEI e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) desenvolveram uma ferramenta inovadora de inteligência artificial (IA) capaz de identificar e medir o nível de dor em recém-nascidos internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). O projeto busca solucionar um dos maiores desafios da neonatologia: a subjetividade na avaliação clínica de pacientes que ainda não conseguem se comunicar verbalmente.
Tecnologia a serviço da saúde neonatal
A ferramenta utiliza modelos de visão computacional e processamento de linguagem natural para analisar expressões faciais dos bebês. Ao combinar imagens e descrições textuais das reações fisiológicas, o sistema consegue categorizar o desconforto de forma padronizada.
Atualmente, a detecção de dor em UTIs neonatais depende exclusivamente da observação humana, utilizando escalas como a NIPS (Neonatal Infant Pain Scale). No entanto, essa avaliação pode sofrer variações conforme o cansaço do profissional, a iluminação do ambiente ou a rotina acelerada do hospital.
Os principais diferenciais da tecnologia brasileira incluem:

  • Redução da subjetividade: A IA oferece uma leitura constante e imparcial das microexpressões faciais.
  • Monitoramento contínuo: Diferente da avaliação humana, que é feita em intervalos, o sistema pode monitorar o bebê em tempo real.
  • Intervenção precoce: Ao detectar sinais de dor rapidamente, a equipe médica pode ajustar medicamentos ou procedimentos de conforto de forma mais ágil.
    Avanços e o cenário atual da pesquisa
    Em desenvolvimentos recentes no campo da saúde digital, o uso de modelos multimodais (que aprendem com diferentes tipos de dados simultaneamente) tem se mostrado o padrão ouro para diagnósticos complexos. O trabalho da FEI e Unifesp coloca o Brasil na vanguarda dessa aplicação, focando especificamente na vulnerabilidade do ambiente neonatal.
    Especialistas indicam que o próximo passo para tecnologias desse tipo é a integração direta com os sistemas de monitoramento das UTIs, gerando alertas automáticos nos prontuários eletrônicos.

“A inteligência artificial não substitui o profissional de saúde, mas atua como um ‘segundo par de olhos’ incansável, garantindo que nenhum sinal de sofrimento passe despercebido”, afirmam pesquisadores da área.

Por que isso é importante?
A exposição prolongada à dor não tratada em recém-nascidos pode ter consequências severas no desenvolvimento neurológico e comportamental a longo prazo. Ferramentas que refinam essa percepção garantem não apenas um tratamento mais humano, mas uma recuperação mais rápida e segura para os pequenos pacientes.

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