Se Ratinho Junior resolvesse levar em conta tão somente a pesquisa AtlasIntel, divulgada nesta quinta-feira (2 de abril de 2026), para escolher o seu candidato a sucessor no Governo do Paraná, o governador teria que dar um cavalo de pau na estratégia e talvez reiniciar as conversas políticas. O levantamento sacudiu o Centro Cívico ao mostrar o senador Sergio Moro (PL) com uma dianteira confortável, vencendo em todos os cenários de primeiro e segundo turno.
Obviamente que as pesquisas eleitorais se somam a outros fatores preponderantes, e, certamente, talvez até mais importantes, para que Ratinho faça sua escolha e os paranaenses possam ver a “fumacinha branca” no telhado do Palácio Iguaçu. No entanto, os números trazem “recados indigestos” para o grupo político atualmente no poder.
O “efeito Moro” e o vácuo no centro
A pesquisa revela que Sergio Moro, agora oficialmente filiado ao PL e contando com o apoio declarado de Jair Bolsonaro, detém mais de 51% das intenções de voto no principal cenário de primeiro turno. O resultado é um banho de água fria nos nomes governistas que buscam viabilidade.
Enquanto Moro capitaliza o espólio da direita e do lavajatismo, o segundo colocado é Requião Filho (PDT), com cerca de 28%, consolidando-se como o principal nome da oposição à esquerda. O “congestionamento” ocorre justamente na base aliada de Ratinho Junior, onde diversos nomes tentam se viabilizar sem que nenhum, até o momento, tenha disparado na preferência popular:
- Alexandre Curi (Republicanos): Recentemente filiado ao Republicanos para buscar espaço próprio, o deputado estadual aparece como um dos nomes mais fortes do grupo, mas ainda distante dos líderes.
- Rafael Greca (MDB): O ex-prefeito de Curitiba mantém seu capital político, mas os números da AtlasIntel indicam que sua transferência de votos fora da capital ainda enfrenta barreiras.
- Eduardo Pimentel (PSD) e Guto Silva (PSD): Os secretários e apostas diretas do partido do governador pontuam na casa de um dígito, o que liga o sinal de alerta sobre a capacidade de transferência de votos de Ratinho Junior neste estágio do processo.
A estratégia do Palácio Iguaçu
A “estratégia do cavalo de pau” mencionada por analistas políticos sugere que o governador pode precisar antecipar definições ou buscar uma composição mais ampla para evitar o isolamento de seu candidato. A recente movimentação de Moro para o PL, partido que teoricamente caminharia com o governo estadual, criou um racha na direita paranaense que Ratinho Junior tentava unificar.
A desistência oficial de Ratinho Junior da pré-candidatura à Presidência da República, confirmada no final de março, mudou o tabuleiro. Agora, o foco total do governador é “fazer o sucessor” para garantir seu grupo político no estado enquanto projeta seu futuro nacional para ciclos seguintes.
O que vem pela frente
Embora a pesquisa AtlasIntel utilize uma metodologia de recrutamento digital que, por vezes, favorece candidatos com forte presença em redes sociais — como é o caso de Moro —, ela serve como um termômetro real da dificuldade que o “centro” terá no Paraná em 2026.
Para Ratinho Junior, a escolha não será apenas sobre quem ele mais confia, mas sobre quem terá a “casca” necessária para enfrentar o ex-juiz da Lava Jato em um estado onde o bolsonarismo e o antipetismo continuam sendo os grandes motores eleitorais. A fumacinha branca no Palácio Iguaçu ainda deve demorar a subir, mas o vento, por enquanto, sopra a favor do senador.




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