O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Civil deflagraram, nesta terça-feira (31), uma operação para desarticular um esquema criminoso que visava fraudar o espólio do empresário João Carlos Di Genio, fundador do Grupo Unip/Objetivo. A investigação aponta uma tentativa de desvio de quase R$ 900 milhões por meio de decisões arbitrais forjadas.
Ao todo, a Justiça expediu 9 mandados de prisão e 15 de busca e apreensão. Entre os alvos centrais da operação estão Luiz Teixeira da Silva Junior e Anani Candido de Lara, figuras ligadas à Colonizadora Planalto Paulista e a uma câmara arbitral utilizada para dar aparência de legalidade à cobrança milionária.
O Mecanismo da Fraude
Segundo as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), o grupo teria utilizado uma Câmara de Arbitragem para criar uma dívida inexistente contra o espólio de Di Genio, que faleceu em 2022 aos 82 anos.
- A Origem: O grupo alegava possuir direitos sobre terras ou contratos antigos vinculados à Colonizadora Planalto Paulista.
- A Manobra: Através de um procedimento arbitral suspeito — no qual os próprios envolvidos atuavam como juízes ou mediadores — “condenaram” o espólio ao pagamento da vultosa quantia.
- O Objetivo: Inserir essa dívida no processo de inventário para que os valores fossem transferidos antes da partilha legítima dos herdeiros.
Os Principais Investigados
O nome de Luiz Teixeira da Silva Junior já é conhecido das autoridades. Médico e empresário, ele já enfrentou condenações anteriores por falsidade ideológica e estelionato. No caso atual, ele é apontado como um dos mentores da estratégia para “abocanhar” o patrimônio de um dos maiores impérios educacionais do país.
Anani Candido de Lara, por sua vez, está vinculado à estrutura da câmara arbitral que validou a suposta dívida, sendo peça-chave para conferir o selo de “decisão judicial” ao golpe.
Impacto no Grupo Unip/Objetivo
A defesa do espólio de João Carlos Di Genio colaborou com as autoridades desde que as inconsistências nos processos arbitrais foram detectadas. Em nota, representantes da família reiteraram a confiança nas instituições e destacaram que a operação de hoje evita um prejuízo histórico não apenas para os herdeiros, mas para a estabilidade jurídica das empresas fundadas pelo educador.
”A tentativa de utilizar a justiça arbitral como ferramenta para crimes de colarinho branco é um alerta para o setor jurídico e empresarial brasileiro”, destacou um dos investigadores.
Próximos Passos
Os presos passarão por audiência de custódia e os materiais apreendidos — computadores, documentos e celulares — serão analisados pelo GAECO para identificar se o grupo tentou aplicar golpes similares contra outros grandes empresários falecidos.
Os investigados podem responder por estelionato, associação criminosa e falsificação de documentos, com penas que, somadas, ultrapassam 15 anos de reclusão.




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