Curitiba, 13 de abril de 2026 — O cenário político paranaense, que até poucos meses parecia sob o controle absoluto do Palácio Iguaçu, entrou em uma espiral de incertezas que ameaça o capital político do governador Ratinho Junior (PSD). O que deveria ser uma transição suave para consolidar seu sucessor transformou-se em um campo de batalha interno, onde o apoio do atual mandatário passou a ser questionado como um “beijo da morte” para as pretensões de aliados históricos, como o secretário das Cidades, Guto Silva, e o presidente da Assembleia Legislativa (ALEP), Alexandre Curi.
O racha no PSD e a “síndrome do sucessor”
A crise ganhou contornos dramáticos após o feriado de Páscoa, com a confirmação de que a base governista está longe de um consenso. Segundo apurações recentes, o favoritismo de Guto Silva — braço direito do governador e nome de confiança para a continuidade técnica — provocou uma reação imediata de Alexandre Curi. O deputado, que detém o controle de uma vasta rede de prefeitos, sinalizou que o isolamento de seu nome no PSD poderia levá-lo a buscar “novos ares partidários” ainda nesta janela de abril.
O termo “beijo da morte” começou a ecoar nos corredores da ALEP e em veículos como O Diário de Maringá, referindo-se ao desgaste natural de um governo que, embora bem avaliado, carrega o peso de oito anos de gestão. Aliados temem que a vinculação excessiva à imagem de Ratinho Junior impeça o crescimento de candidaturas em centros urbanos onde a oposição, liderada por nomes como Sergio Moro (PL) e Requião Filho (PDT), tem avançado nas pesquisas.
O fator Moro e a ameaça do PL
A última pesquisa do instituto Paraná Pesquisas, divulgada em março de 2026, acendeu o sinal de alerta máximo no governo:
- Sergio Moro (PL) lidera com folga em todos os cenários, chegando a 47% das intenções de voto.
- Guto Silva e outros nomes governistas patinam na casa de um dígito quando o cenário inclui o ex-juiz.
- Rafael Greca, embora aliado, aparece com votação expressiva, mas sua viabilidade dentro do PSD é dificultada pela disputa interna entre Silva e Curi.
A desistência de Ratinho Junior da pré-candidatura à Presidência, anunciada em março para focar na sucessão local, não surtiu o efeito de “pacificação” esperado. Pelo contrário, aumentou a pressão sobre Guto Silva, que agora precisa provar que consegue converter a aprovação do governador em votos reais.
Tabela: O cenário da sucessão em abril de 2026
| Candidato | Partido | Situação Atual | Principal Desafio |
|---|---|---|---|
| Guto Silva | PSD | Favorito do Palácio | Baixo recall popular fora do governo |
| Alexandre Curi | PSD | Forte base municipalista | Convencer Ratinho de sua lealdade |
| Sergio Moro | PL | Líder nas pesquisas | Romper a barreira do “anti-lavajatismo” |
| Requião Filho | PDT | Nome da oposição de esquerda | Unificar o campo progressista (PT/PV) |
Perspectivas para o desfecho da janela partidária
Nos bastidores, comenta-se que a “verdade bate à porta” para o grupo situacionista: ou o governador define um nome de consenso até o final deste mês, ou verá sua base se esfacelar em candidaturas avulsas. A possibilidade de uma chapa com Eduardo Pimentel (atual prefeito de Curitiba) para o governo, com Guto Silva na vice e Alexandre Curi ao Senado, é a “cartada de mestre” que o Palácio Iguaçu tenta viabilizar para evitar o desastre eleitoral em outubro.
“A política não aceita vácuo. Se Ratinho Junior não ocupar o espaço de liderança agora, o ‘beijo da morte’ será a própria omissão”, afirmou um articulador político ligado à base governista.
Com a liderança de Moro consolidada e o racha no PSD exposto, os próximos dias serão decisivos para definir se o legado de Ratinho Junior será a continuidade ou a entrega das chaves do Palácio Iguaçu para seus maiores adversários.
Diante desse racha interno e do avanço de Sergio Moro nas pesquisas, você acredita que a melhor estratégia para o governo seria apostar em um nome técnico como Guto Silva ou em um articulador político com base de prefeitos como Alexandre Curi?




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