Ratinho Junior tenta conter dispersão na base da Alep para garantir sucessão em 2026

O governador Ratinho Junior (PSD) iniciou uma ofensiva política para reorganizar sua base aliada na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), visando conter o movimento de dispersão causado pela proximidade das eleições de 2026. Após o recuo de sua pré-candidatura à Presidência da República, anunciado em março, o foco do Palácio Iguaçu voltou-se integralmente para a manutenção da unidade interna, fundamental para viabilizar um sucessor competitivo e enfrentar a oposição, que ganha corpo com nomes como o senador Sergio Moro (agora no PL).

​O cenário de fragmentação

​A base governista, que outrora exibia uma coesão quase absoluta, passou a demonstrar fissuras naturais de um final de mandato. O “rachadinho” político na Alep decorre de dois fatores principais:

  1. A disputa interna pela sucessão: Nomes de peso como o presidente da Casa, Alexandre Curi (PSD), e os secretários Guto Silva (Cidades) e Rafael Greca (Desenvolvimento Sustentável) dividem as atenções dos deputados, criando núcleos de influência distintos.
  2. O fator Sergio Moro: A movimentação do senador para o PL e sua disposição em disputar o Governo do Estado atraíram parlamentares da ala mais à direita, que antes orbitavam exclusivamente em torno de Ratinho Junior.

​A estratégia do “almoço de pacificação”

​Recentemente, o governador reuniu 42 parlamentares da base em um encontro de agradecimento e alinhamento. Segundo interlocutores, o tom foi de despedida do projeto nacional, mas de convocação para uma “união de ferro” no Paraná. Ratinho Junior busca evitar que os deputados antecipem o desembarque do governo para negociar com futuras candidaturas.

Desafios imediatos

​Além da articulação partidária, o governo enfrenta pressão de categorias do funcionalismo público. A liderança do governo na Alep tem corrido para encaminhar projetos de recomposição salarial na tentativa de esvaziar pautas de greve de sindicatos como a APP-Sindicato, evitando que o desgaste com os servidores contamine a imagem dos deputados da base em ano pré-eleitoral.

​Para um observador atento, o “colar dos cacos” que o governador tenta realizar não é apenas uma medida de governabilidade para os meses restantes, mas a tentativa de garantir que a máquina pública paranaense continue sendo o principal cabo eleitoral de seu grupo político, blindando a Assembleia contra as investidas da oposição bolsonarista e lavajatista.

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