O cenário político no Paraná entrou em uma nova fase nesta segunda-feira (6). O governador Ratinho Junior (PSD), embora ainda conte com a maior bancada da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), inicia a semana enfrentando um tabuleiro de sucessão muito mais complexo e pulverizado do que o planejado. O encerramento da janela partidária redesenhou as forças dentro do Palácio Adauto Botelho, quebrando o monopólio governista sobre o debate de 2026.
A explosão da direita e o fator Moro
O grande salto numérico veio do PL, impulsionado pela influência de Sergio Moro. A sigla saltou de 5 para 12 deputados, consolidando-se como a segunda maior força da Casa. Esse crescimento não é apenas quantitativo; ele representa a abertura de um flanco à direita que o PSD antes controlava com folga. Com o PL fortalecido, o Palácio Iguaçu agora precisa negociar com um bloco que possui agenda própria e aspirações majoritárias claras para o próximo pleito.
O fortalecimento de Alexandre Curi
Outro ponto de atenção para o Executivo é o Republicanos. Sob a liderança informal, mas influente, de Alexandre Curi, o partido cresceu para 5 cadeiras. Curi, atual primeiro-secretário da ALEP e nome forte para a presidência da Casa no próximo biênio, ganha musculatura própria. O movimento sinaliza que a sucessão estadual não passará exclusivamente pelo crivo de Ratinho Junior, mas sim por uma coalizão onde o Republicanos exigirá protagonismo.
Mudanças no mapa das bancadas
A nova configuração da ALEP apresenta ganhadores e perdedores nítidos após a movimentação dos parlamentares:
| Partido | Bancada Anterior | Nova Bancada | Status |
| PSD | 15 | 19 | Crescimento orgânico |
| PL | 5 | 12 | Salto expressivo |
| Republicanos | 2 | 5 | Ganho de musculatura |
| PT | 6 | 6 | Estabilidade na oposição |
| União Brasil | 7 | 0 | Extinção na Casa |
Nota do Redator: O esvaziamento total do União Brasil na ALEP é um dos fatos mais curiosos deste ciclo, deixando o partido que abriga nomes nacionais sem representação direta no legislativo estadual paranaense neste momento.
O que esperar a partir de agora
Com o PSD detendo 19 cadeiras, o governo mantém uma governabilidade confortável para projetos de lei ordinários. No entanto, a “paz absoluta” na articulação política foi substituída por um jogo de xadrez antecipado.
O avanço do PL e do Republicanos indica que o apoio à base do governo agora tem um preço político mais alto: a participação direta na chapa majoritária de 2026. Ratinho Junior, embora ainda seja o principal cabo eleitoral do estado, terá que dedicar mais tempo à contenção de danos e ao equilíbrio de egos entre seus aliados do que à simples imposição de nomes para sua sucessão.




Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.