WASHINGTON – Em uma das manobras mais drásticas de sua gestão até agora, o Secretário de Defesa (referido na estrutura governamental como chefe do Departamento de Guerra na atual administração) Pete Hegseth exigiu a aposentadoria imediata do General Randy George, Chefe do Estado-Maior do Exército. A medida, confirmada pelo Pentágono nesta quinta-feira (2), encerra abruptamente um mandato que deveria durar até 2027 e expõe uma fratura profunda entre a cúpula política e a liderança militar de carreira.
A saída de George ocorre em um momento de alta sensibilidade estratégica, com os Estados Unidos intensificando operações no Oriente Médio e mantendo uma postura vigilante quanto à guerra na Ucrânia. Segundo fontes ligadas ao Pentágono, a decisão faz parte de uma reestruturação ampla promovida por Hegseth para alinhar o comando das Forças Armadas à agenda de segurança nacional do governo, que busca líderes mais “sintonizados” com a nova visão de defesa.
O legado da modernização
O General Randy George assumiu o posto em 2023, herdando uma instituição que enfrentava sua pior crise de recrutamento em décadas. Em 2024, ele foi creditado por reverter essa tendência por meio de programas de pré-treinamento e novas estratégias de marketing voltadas à Geração Z.
No campo tático, George era um entusiasta da “transformação no contato”. Ele pressionou o Exército a abandonar processos burocráticos lentos para acelerar a aquisição de drones de baixo custo e tecnologias de guerra eletrônica, lições diretas observadas nos campos de batalha ucranianos. Sua visão era de um Exército mais ágil e tecnologicamente letal, capaz de enfrentar ameaças assimétricas.
Choque de visões no Pentágono
Apesar de seus sucessos operacionais, o General George encontrou resistência em Pete Hegseth. O secretário tem sido vocal em suas críticas ao que chama de liderança “woke” no Pentágono, focando em remover generais que, em sua visão, priorizam políticas sociais em detrimento da prontidão de combate. Relatos indicam que a tensão também envolvia o controle sobre promoções internas e a resistência de George a certas mudanças estruturais propostas por civis próximos ao governo.
Com a saída de George, o General Christopher LaNeve, atual Vice-Chefe do Estado-Maior, deve assumir o cargo interinamente. A mudança é vista por analistas como um sinal claro de que o Departamento de Defesa priorizará agora uma lealdade institucional mais rígida e uma ruptura definitiva com a era de lideranças nomeadas na gestão anterior.
O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, limitou-se a agradecer os “decênios de serviço à nação” prestados por George, enquanto o gabinete do general ainda não emitiu uma declaração formal sobre sua aposentadoria forçada.




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