Sérgio Moro lidera sucessão no Paraná enquanto rivais questionam números e histórico

CURITIBA – A corrida pelo Palácio Iguaçu em 2026 começa a ganhar contornos de polarização precoce. De um lado, o senador Sérgio Moro (União/PL) consolida o favoritismo em recentes levantamentos; de outro, adversários como Requião Filho (PDT) ganham fôlego e colocam sob suspeita a viabilidade de uma vitória em primeiro turno, apoiando-se em fragilidades do histórico jurídico do ex-juiz e na força da máquina estadual.

​Os números do Instituto AtlasIntel

​O levantamento mais recente do Instituto AtlasIntel, divulgado nesta quinta-feira (2 de abril de 2026), aponta que Sérgio Moro lidera todos os cenários testados. No principal deles, o senador atinge 51,5% das intenções de voto, o que, em tese, garantiria sua eleição sem a necessidade de um segundo turno.

​Entretanto, analistas alertam para a “volatilidade” desses dados. Embora Moro apareça com uma vantagem expressiva, a margem de erro e o alto índice de desaprovação do governo federal no estado (64% de rejeição a Lula no PR, segundo a mesma pesquisa) criam um ambiente de “voto útil” na direita que beneficia o ex-juiz, mas que pode ser fragmentado com a entrada oficial de nomes apoiados pelo atual governador, Ratinho Jr. (PSD).

​A ascensão de Requião Filho e o “teto” de Moro

​O deputado estadual Requião Filho tem se consolidado como o principal nome da oposição, aparecendo com índices que variam entre 23% e 30% dependendo do instituto. Para a ala ligada ao PDT, o crescimento de Requião é um sintoma de que o eleitorado paranaense busca uma alternativa ao “lavajatismo”.

​A crítica central dos adversários reside na tese de que os 51% de Moro seriam um “pico artificial”. Os argumentos utilizados contra o ex-juiz na futura campanha já estão desenhados:

  1. Parcialidade e Anulações: O uso político das decisões do STF que consideraram Moro parcial nos processos contra o atual presidente Lula.
  2. Caso Banestado: Antigas investigações que voltam ao debate público para desgastar a imagem de “paladino da justiça”.
  3. Fator Ratinho Jr.: O atual governador detém mais de 80% de aprovação. Seus possíveis sucessores, como Alexandre Curi, Rafael Greca ou Guto Silva, ainda possuem baixo “recall” (conhecimento do público), mas contam com a máquina pública, o que historicamente reduz a votação de candidatos isolados como Moro.

Entre a técnica e a política

​A “verdade dos números” questionada por críticos reside na metodologia de recrutamento digital da AtlasIntel, que tende a captar um eleitorado mais engajado e conectado, muitas vezes refletindo tendências de bolhas sociais.

​O cenário real, contudo, só deve se estabilizar quando o grupo de Ratinho Jr. oficializar um nome único. Se o PSD e o PL não caminharem juntos, a fragmentação da direita pode impedir a vitória de Moro no primeiro turno, empurrando a decisão para um embate direto onde o histórico da Operação Lava Jato será, inevitavelmente, o grande réu do tribunal das urnas.

​Até lá, a agonia de uma pré-campanha antecipada segue ditando o ritmo do Paraná, entre o favoritismo das pesquisas e o ceticismo dos bastidores políticos.

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