As intensas conversas diplomáticas entre os Estados Unidos e o Irã, realizadas em Islamabad, no Paquistão, foram encerradas na madrugada deste domingo (12 de abril de 2026) sem a assinatura de um tratado de paz. O vice-presidente americano, JD Vance, que liderou a delegação de Washington, afirmou que, apesar de mais de 21 horas de discussões substantivas, Teerã recusou os termos propostos para o encerramento definitivo das hostilidades.
O impasse nuclear e o Estreito de Ormuz
De acordo com declarações de Vance antes de deixar o solo paquistanês, o principal obstáculo para o sucesso das tratativas foi a questão do programa nuclear iraniano. Os EUA exigiam um compromisso explícito e verificável de que o Irã não buscaria armas nucleares nem os meios para desenvolvê-las.
- Exigências dos EUA: Fim do enriquecimento de urânio, desmantelamento de instalações principais e entrega do urânio já enriquecido.
- Posição do Irã: A delegação iraniana, que incluiu o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o chanceler Abbas Araqchi, buscou maior flexibilidade, mas não aceitou o que Vance chamou de “oferta final e melhor”.
- Logística Global: A reabertura incondicional do Estreito de Ormuz também permanece como um ponto crítico de fricção, afetando diretamente os mercados globais de energia.
Reação da Casa Branca
O presidente Donald Trump comentou o resultado das conversas de forma direta, minimizando o impacto da ausência de um acordo imediato. Em declarações à imprensa, Trump afirmou que os Estados Unidos já “venceram militarmente” e que a posição de força do país não depende do sucesso das mesas de negociação.
“Se chegarmos a um acordo ou não, para mim não faz diferença. Do ponto de vista dos Estados Unidos, nós vencemos”, declarou o presidente.
Contexto regional
As negociações ocorreram sob a sombra de um cessar-fogo frágil de duas semanas, que deveria durar até 21 de abril. O Irã tentou condicionar o avanço do acordo a exigências sobre a atuação de Israel no Líbano, o que foi prontamente rejeitado pelos negociadores americanos.
Com o retorno da delegação de JD Vance a Washington, a expectativa agora se volta para a reação dos mercados e para a manutenção — ou rompimento — da trégua temporária na região. Fontes diplomáticas indicam que a “bola está agora com Teerã”, que deverá decidir se aceita os termos finais apresentados ou se arrisca uma nova escalada de ataques militares.




Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.