Polícia Federal mira ex-governador Cláudio Castro e dono do Grupo Refit em operação contra fraude bilionária


A corrupção no Brasil permanece como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento socioeconômico, drenando recursos públicos que deveriam ser destinados a áreas essenciais como saúde, educação e segurança. No cenário político fluminense, o combate a esses desvios ganhou um novo e expressivo capítulo nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, com a deflagração da Operação Sem Refino pela Polícia Federal (PF). A ação coloca sob os holofotes do Judiciário figuras de grande expressão política e empresarial, reacendendo o debate nacional sobre a integridade na administração pública.
A operação cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), localizada na Barra da Tijuca. Paralelamente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, relator do caso no âmbito da ADPF 635, determinou o bloqueio histórico de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas de empresas investigadas. O principal alvo da ordem de prisão é o empresário Ricardo Magro, dono do Grupo Refit (antiga Refinaria de Manguinhos), cujo nome foi incluído na difusão vermelha da Interpol por se encontrar fora do país. Magro é apontado pela Receita Federal como um dos maiores devedores contumazes do país, acumulando débitos bilionários.
Segundo os relatórios da Polícia Federal, a investigação apura um esquema complexo de fraudes fiscais, sonegação tributária no setor de combustíveis, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial. Os indícios apontam que, durante sua gestão, Cláudio Castro teria atuado de forma decisiva para blindar e favorecer os interesses econômicos do Grupo Refit. O documento policial cita que a máquina pública do Estado do Rio de Janeiro teria sido direcionada, por meio de trocas estratégicas em cargos de alto escalão e formulação de leis sob medida, para beneficiar o conglomerado empresarial.
A repercussão do caso repercute fortemente nos bastidores de Brasília e do Rio de Janeiro, sobretudo pelo alinhamento histórico de Cláudio Castro com a base partidária do bolsonarismo e o Partido Liberal (PL). O desdobramento ocorre em um momento em que Castro já havia se afastado do cargo Executivo em março, pouco antes de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decretar sua inelegibilidade por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Atualmente, o estado do Rio de Janeiro é administrado de forma interina pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto, enquanto o STF define os ritos para a sucessão definitiva do governo estadual.
Em nota oficial, a defesa de Cláudio Castro argumentou que todas as ações e medidas adotadas ao longo de seu mandato em relação ao Grupo Refit foram estritamente técnicas, legais e voltadas para a recuperação de ativos públicos, destacando que sua gestão foi a única a garantir que a refinaria parcelasse e pagasse cerca de R$ 1 bilhão em dívidas com o fisco estadual. Os advogados informaram ainda que o ex-governador colaborou integralmente com os agentes federais durante as buscas e que nenhum material considerado de relevância criminal foi apreendido no local. Por sua vez, entidades representativas do setor produtivo e de fiscalização de combustíveis avaliaram a operação como um marco necessário para combater a concorrência desleal e desarticular estruturas financeiras suspeitas de abastecer o mercado irregular.

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