O cenário político para as eleições de 2026 sofreu uma reviravolta expressiva. O partido Democracia Cristã (DC) confirmou oficialmente a filiação do ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, lançando-o como o novo pré-candidato da legenda na disputa pelo Palácio do Planalto. A decisão, no entanto, abriu uma crise interna imediata, já que Barbosa assume o posto ocupado até então pelo ex-ministro da Defesa, Aldo Rebelo.
O anúncio da troca foi feito pelo presidente nacional do DC, João Caldas. Segundo o dirigente, a substituição foi motivada pelo desempenho de Rebelo nas pesquisas de intenção de voto. Caldas explicou que o acordo inicial com Aldo previa um período de três meses de testes para avaliar a viabilidade eleitoral de sua campanha presidencial. Diante da falta de tração dos números e da oportunidade de filiar o ex-magistrado do STF, a cúpula partidária optou pela mudança de rumos.
Entusiasta da nova candidatura, João Caldas referiu-se a Joaquim Barbosa como uma “pérola” e um “diamante” que surgiu no caminho do partido, chegando a classificá-lo publicamente como o “Obama brasileiro”, em alusão à história de superação do ex-ministro. A legenda divulgou uma nota oficial afirmando que a trajetória de Barbosa reflete o desejo de mudança da sociedade, sendo um nome capaz de “equilibrar as instituições e dar esperança ao país”. Pesquisas qualitativas internas encomendadas pela sigla também apontaram que a imagem pública de Barbosa segue fortemente vinculada à ética e ao combate à corrupção.
Por outro lado, a substituição abrupta causou forte descontentamento. Aldo Rebelo utilizou suas redes sociais para protestar, afirmando que sua pré-candidatura ao Planalto continua mantida. Rebelo classificou o anúncio do nome de Barbosa como um “balão de ensaio” e uma “afronta” às relações políticas que deveriam ser baseadas na transparência e em processos democráticos, defendendo que candidaturas devem ser projetos coletivos e não de grupos específicos.
Em resposta às queixas do ex-ministro da Defesa, o presidente do DC rebateu argumentando que a legenda precisa ter responsabilidade institucional e olhar para o país. Caldas declarou que “o povo já disse não” a Rebelo para o cargo presidencial, mas ponderou que o partido mantém as portas abertas para apoiá-lo caso decida concorrer a outras vagas, como ao Senado, à Câmara dos Deputados ou a governos estaduais.
Aos 71 anos, Joaquim Barbosa volta formalmente aos holofotes da política partidária nacional. Conhecido historicamente por sua atuação como relator do julgamento do Mensalão, o ex-ministro já havia flertado com uma candidatura presidencial em 2018 pelo PSB, mas acabou desistindo da disputa na ocasião. Agora, pelo DC, sua movimentação promete reconfigurar as forças da chamada terceira via para o pleito de 2026.





