A dificuldade para conceber um filho atinge cerca de 1 em cada 6 casais globalmente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, embora metade dos casos esteja associada a fatores masculinos (seja de forma isolada ou combinada), a saúde reprodutiva do homem ainda costuma ficar em segundo plano. Especialistas apontam que a falta de protagonismo masculino nas investigações clínicas e o estigma cultural retardam tratamentos eficazes e sobrecarregam as mulheres.
O crescimento dos diagnósticos e os novos vilões modernos
Dados recentes divulgados pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) revelam que o número de atendimentos relacionados à infertilidade masculina no sistema de saúde do Brasil mais que dobrou na última década. O declínio na qualidade do sêmen tem se mostrado multifatorial, associado ao estilo de vida contemporâneo e a novos hábitos prejudiciais.
Especialistas alertam para as principais causas desse cenário:
- Uso de hormônios sintéticos: O consumo indiscriminado de testosterona e anabolizantes em academias tornou-se uma das maiores ameaças modernas, atuando como um contraceptivo que bloqueia a produção natural de espermatozoides.
- Fatores ambientais e hábitos: Exposição a agrotóxicos, poluição, estresse crônico, tabagismo e obesidade deterioram progressivamente os parâmetros seminais.
- Idade reprodutiva masculina: Ao contrário do mito de que o homem é fértil por tempo indeterminado, estudos apontam que após os 40 anos ocorre uma redução significativa na concentração, na morfologia e na integridade do DNA dos espermatozoides.
Diretrizes da OMS e os avanços da ciência para mudar o cenário
”Historicamente, as políticas e os fluxos clínicos focaram desproporcionalmente na mulher, ignorando que o homem responde por metade das dificuldades do casal.”
Para mitigar esse desequilíbrio, a OMS publicou sua primeira diretriz global unificada voltada ao tratamento e diagnóstico da infertilidade. O documento estabelece que o homem deve ser integrado desde o primeiro momento na abordagem do casal, padronizando exames de sêmen e destacando correções de varicocele e mudanças de estilo de vida.
Paralelamente, a ciência caminha para oferecer novas respostas ao problema:
Descobertas e tecnologia
Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) identificaram mecanismos elétricos em células de Sertoli (que nutrem os espermatozoides), abrindo portas para novos tratamentos hormonais de precisão. Além disso, congressos internacionais de urologia vêm debatendo técnicas promissoras de transplante de tecido testicular e maturação de células germinativas em laboratório para reverter quadros graves de infertilidade.
O consenso entre a comunidade médica é claro: encarar a fertilidade como uma responsabilidade conjunta do casal é o primeiro passo para garantir diagnósticos mais rápidos, tratamentos menos invasivos e maior sucesso na formação de novas famílias.
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