Nos bastidores da direita, o clima é de forte turbulência às vésperas do início oficial da campanha eleitoral. A divulgação de um vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro expõe publicamente o enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), expôs uma fratura que vinha se desenhando há meses na família e resultou na saída de Michelle da presidência do PL Mulher, além de abrir mão de seu salário no partido.
O estopim da crise envolve acusações de silenciamento e falta de espaço político para as mulheres dentro do movimento liderado por Flávio, o pré-candidato do grupo à Presidência. Na gravação, Michelle relata episódios de dezembro do ano passado, queixando-se de ter decisões tomadas à sua revelia e de se sentir desrespeitada em seu direito de fala. A escolha do momento para liberar o material — poucos minutos antes de uma partida de futebol do Brasil e em um dia estrategicamente ruim para o governo — aponta para uma articulação calculada. Nos bastidores de Brasília, analistas apontam que a divulgação teve o aval direto do ex-presidente Jair Bolsonaro, configurando uma estratégia para “rifar” o filho mais velho e evitar que o desgaste de sua imagem contamine o restante da família.
Essa movimentação ocorre em um cenário já fragilizado para Flávio Bolsonaro. Recentemente, o senador sofreu quedas expressivas nas pesquisas de intenção de voto após o vazamento de áudios envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master, o que levantou questionamentos internos na legenda sobre a viabilidade de seu nome na disputa contra o presidente Lula. Paralelamente, dados do instituto AtlasIntel indicaram uma rejeição acentuada de Flávio, especialmente junto ao eleitorado feminino — o público justamente defendido por Michelle em sua recente ofensiva.
Ao deixar o comando do PL Mulher, Michelle Bolsonaro adota uma postura que, na visão de estrategistas políticos, a blinda dos escândalos que cercam o enteado e a posiciona como um nome de reserva forte para a direita. Enquanto a militância tenta desenhar a narrativa de que a ex-primeira-dama agiu de forma isolada, analistas de bastidores cravam que o recuo e os ataques públicos fazem parte de um reposicionamento maior comandado pelo próprio ex-presidente para recalcular a rota da família diante de um cenário eleitoral cada vez mais complexo e ameaçador.
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