Uma nova operação da Polícia Federal (PF) trouxe turbulência para os bastidores da pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL). O principal foco de desgaste é o ex-prefeito de Belford Roxo e ex-deputado estadual Márcio Canella (União Brasil), apontado como um aliado estratégico do clã Bolsonaro no Rio de Janeiro e cotado para disputar uma vaga ao Senado.
De acordo com relatórios emitidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), as investigações apontam para um esquema financeiro expressivo, com movimentações suspeitas que ultrapassam a marca de R$ 7,6 bilhões ao longo dos últimos seis anos. O avanço do caso atinge diretamente a engenharia política que vinha sendo desenhada para o estado fluminense. Na chapa governista desenhada por Canella, a mãe do senador Flávio Bolsonaro estava cotada para assumir a vaga de suplente no Senado.
A proximidade de Canella com Flávio Bolsonaro e as acusações de conexões políticas regionais delicadas ligadas à Baixada Fluminense acenderam o sinal de alerta no Partido Liberal (PL). Interlocutores avaliam que o avanço da operação policial exigirá um plano imediato de contenção de danos e blindagem da imagem da candidatura presidencial, na tentativa de desvincular o presidenciável das investigações fiscais e criminais que cercam seus aliados no Rio de Janeiro.
Paralelamente ao cerco contra seus apoiadores regionais, a situação do próprio senador ganhou novos desdobramentos jurídicos em Brasília. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que a Polícia Federal intime Flávio Bolsonaro a prestar depoimento no âmbito de um inquérito que apura suposto crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, decorrente de postagens feitas nas redes sociais. Com o prazo de dez dias estipulado para a oitiva, a defesa do parlamentar tenta readequar a agenda política para responder formalmente às autoridades.
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