Áudios vazados na Sanepar ligam Claudio Stabile, Guto Silva e Ratinho Junior a suposto esquema de corrupção

Uma série de gravações clandestinas que vieram a público recentemente colocou o Governo do Estado do Paraná sob o holofote de uma grave crise institucional. Os áudios, que circulam em veículos de imprensa e redes sociais, detalham um suposto esquema de desvio de recursos públicos da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), envolvendo figuras do alto escalão da administração de Carlos Massa Ratinho Junior (PSD).

​O conteúdo das gravações

​Nos áudios atribuídos a diretores e interlocutores da companhia, é descrita uma engrenagem de “caixa dois” que teria sido utilizada para irrigar campanhas eleitorais, especificamente no pleito de 2022. O teor das conversas é explosivo: além da descrição do fluxo de dinheiro, as gravações revelam um clima de instabilidade interna e ameaças diretas.

​Em um dos trechos mais contundentes, o presidente da Sanepar, Claudio Stabile, teria sinalizado que não aceitaria ser o “bode expiatório” de uma eventual investigação. A frase “se eu cair, levo o governo junto” ecoou nos bastidores do Palácio Iguaçu, sendo interpretada por analistas políticos como uma ameaça velada à estabilidade do governador Ratinho Junior.

​Os nomes citados e o silêncio oficial

​A denúncia atinge também Guto Silva, atual secretário de Planejamento e figura central na articulação política do estado. Silva é citado como um dos operadores que teriam conhecimento ou participação na destinação dos recursos desviados.

​Até o fechamento desta reportagem, o Governador Ratinho Junior tem mantido uma postura de silêncio absoluto sobre o teor específico dos áudios, limitando-se a notas genéricas através de sua assessoria de imprensa. O governo classificou as denúncias, em manifestações anteriores, como “requentadas” e fruto de “disputa política”, mas não ofereceu explicações detalhadas sobre os diálogos vazados.

​Pressão da oposição e investigações

​Na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), a bancada de oposição, liderada pelo deputado Arilson Chiorato (PT), protocolou requerimentos de informações e acionou o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR). “Quando surgem falas com conteúdo intimidatório e menção a desvios na conta de água do cidadão, a apuração deixa de ser opcional e passa a ser obrigatória”, afirmou o parlamentar.

​A principal linha de investigação sugerida pela oposição foca em contratos de prestação de serviço da Sanepar que teriam sofrido aditivos injustificados, servindo como fonte para o suposto esquema de corrupção.

​O impacto para o consumidor

​O caso ganha contornos de revolta popular com a narrativa de que o dinheiro pago pelos paranaenses nas tarifas de água e esgoto — que sofreram reajustes sucessivos nos últimos anos — estaria sendo desviado para fins escusos. Portais de notícias locais, como o Notícias Cascavel, têm destacado que o “preço do silêncio” está sendo financiado diretamente pelo bolso do contribuinte.

​A expectativa agora gira em torno do Judiciário. Caso a autenticidade dos áudios seja periciada e confirmada, o governo do Paraná pode enfrentar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ou até mesmo processos de impeachment, dependendo da profundidade do envolvimento direto do governador nos fatos narrados por seus subordinados.

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