A solidão nas metrópoles chinesas ganhou uma interface digital inusitada e, para muitos, sombria. O aplicativo “Você Está Morto?” (ou Are You Dead?) tornou-se um fenômeno de downloads na China, atraindo especialmente a Geração Z e jovens profissionais que vivem sozinhos em grandes centros urbanos como Pequim e Xangai.
A premissa é um reflexo direto do isolamento social contemporâneo: o usuário deve confirmar sua existência clicando em um botão a cada 48 horas. Caso o check-in não seja realizado, o sistema dispara automaticamente um alerta para um contato de emergência pré-estabelecido.
O mecanismo do “Botão da Vida”
Diferente das redes sociais vibrantes e repletas de filtros, o aplicativo aposta em uma estética minimalista e melancólica. O funcionamento segue uma lógica rigorosa:
- Check-in obrigatório: O usuário precisa interagir com o app a cada dois dias.
- Alerta de segurança: Se o tempo expirar sem resposta, o app assume que algo pode ter acontecido — de um acidente doméstico a um problema de saúde súbito.
- Público-alvo: Jovens que moram longe da família e temem passar dias sem que ninguém perceba um possível incidente.
Por que o fenômeno cresceu agora?
Embora pareça uma ferramenta de segurança, especialistas apontam que o sucesso do app está ligado ao “vazio emocional” e à pressão social na China. Com jornadas de trabalho exaustivas (como o sistema 996) e o enfraquecimento dos laços comunitários físicos, o medo de morrer sozinho e não ser encontrado — fenômeno conhecido no Japão como Kodokushi — começou a ressoar entre os mais novos.
”Não é apenas sobre segurança física, é sobre saber que alguém será avisado se eu desaparecer”, comentou um usuário em uma rede social chinesa.
Contexto: A solidão como mercado
As novidades mais recentes indicam que o governo chinês e desenvolvedores locais estão observando essa tendência de perto. O “Você Está Morto?” não é o único: surgiram variações que incluem “companheiros de IA” para conversar com pessoas solitárias e serviços de “aluguel de amigos” para idosos e jovens isolados.
A viralização do app gerou debates éticos nas plataformas Douyin e Weibo sobre como a tecnologia está substituindo o cuidado humano direto por notificações automatizadas de “estou vivo”.




