O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), converteu a prisão preventiva do pastor e empresário Márcio Poncio em prisão domiciliar mediante monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Ao justificar a decisão, o magistrado acolheu os argumentos da defesa baseados no estado de saúde do investigado. Poncio é portador de retocolite ulcerativa grave, condição que exige tratamento médico contínuo e especializado. Adicionalmente, pesou na avaliação a gestação de alto risco de sua esposa, Simone Poncio.
Restrições impostas pela Justiça
Apesar do benefício da prisão domiciliar, o ministro fixou regras estritas para o cumprimento da medida. Márcio Poncio está proibido de:
- Manter contato direto ou indireto com os demais investigados no processo;
- Acessar qualquer rede social;
- Deixar a sua residência sem prévia e expressa autorização judicial.
Além disso, foi determinada a imediata entrega de seus passaportes e a suspensão de eventuais documentos de porte ou posse de armas de fogo registrados em seu nome.
O contexto da Operação Unha e Carne
Márcio Poncio foi preso pela Polícia Federal na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, no âmbito da quinta fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura um esquema complexo de lavagem de dinheiro, corrupção e pagamento de propinas a mais de 20 agentes políticos e públicos fluminenses.
As finanças sob suspeita estariam vinculadas ao monopólio do jogo do bicho e à chamada “Máfia do Cigarro” no estado.
A operação também expediu novos mandados contra outras lideranças apontadas pela PF:
- Adilson Oliveira Coutinho Filho (Adilsinho): Apontado como o chefe da organização criminosa ligada à contravenção e falsificação de cigarros. Ele já cumpria pena desde fevereiro, após ser localizado com o auxílio de drones na Região dos Lagos.
- Rodrigo Bacellar: O ex-deputado estadual e ex-presidente da Alerj também foi alvo de nova ordem de prisão preventiva no âmbito do mesmo inquérito e, por determinação judicial, deve ser transferido para um presídio de segurança máxima do sistema federal para assegurar o isolamento do grupo.
As defesas dos principais acusados declararam publicamente que aguardam o acesso integral aos autos do processo para apresentar as contestações formais, negando o envolvimento com as práticas ilícitas apontadas nas planilhas apreendidas.
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