Ministério Público e Polícia Federal investigam denúncias de caixa dois na Sanepar e campanha de Ratinho Jr

O Ministério Público Eleitoral do Paraná (MPE-PR) e o Ministério Público Federal (MPF) decidiram formalizar a abertura de apurações para investigar graves denúncias de um suposto esquema de “caixa dois” envolvendo a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) durante a campanha de reeleição do governador Ratinho Jr (PSD) em 2022. O caso, que ganhou força com a divulgação de novos áudios nas últimas semanas de 2025 e início de 2026, sugere o uso da estrutura da estatal e de cargos comissionados para o financiamento ilegal de despesas eleitorais.

​A dinâmica das denúncias: “Vaquinha” e pressão

​O centro da investigação são diálogos gravados entre auxiliares e assessores do governo estadual. No material, é descrita uma suposta “vaquinha” realizada por ocupantes de cargos comissionados e assessores, cujo objetivo seria cobrir rombos financeiros da campanha eleitoral na casa dos milhões de reais.

​Os áudios mais recentes, que vieram à tona entre o Natal e os primeiros dias de janeiro, trazem um tom ainda mais contundente. De acordo com parlamentares da oposição, as gravações indicam não apenas a arrecadação ilegal, mas também relatos de pressão política e ameaças relacionadas à manutenção de cargos em funções estratégicas dentro da Sanepar e de outros órgãos da administração pública.

​Reação da Oposição e órgãos de controle

​A bancada de oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), liderada pelo deputado Arilson Chiorato (PT), intensificou a pressão sobre o Palácio Iguaçu. Além de acionar o Ministério Público, os parlamentares protocolaram pedidos de investigação junto à Superintendência Regional da Polícia Federal do Paraná e enviaram requerimentos de informações à Casa Civil via Lei de Acesso à Informação (LAI).

​”A apuração deixou de ser opcional e passou a ser obrigatória devido ao teor intimidatório e aos valores citados. Não fazemos julgamentos antecipados, mas defendemos uma investigação técnica e transparente”, afirmou Chiorato em pronunciamento recente.

​Resposta do Governo

​Até o momento, a postura oficial do Governo do Estado tem sido de minimização dos fatos. Em nota anterior, o Executivo classificou as denúncias como “antigas” e afirmou que “nada foi comprovado” até então. O governador Ratinho Jr não se manifestou pessoalmente sobre os novos áudios divulgados em janeiro.

​A Sanepar, por sua vez, tem um histórico de ser alvo de operações — como a “Águas Claras” em 2019 —, mas este novo desdobramento foca especificamente no possível crime eleitoral de omissão de receitas e uso de verba pública indireta para fins partidários.

​Próximos passos

​A expectativa agora recai sobre a perícia da Polícia Federal e do MPE para atestar a autenticidade e a origem dos áudios. Caso as denúncias sejam comprovadas, os envolvidos podem responder por crime eleitoral, improbidade administrativa e peculato. As autoridades devem ouvir, nas próximas semanas, os assessores cujas vozes aparecem nas gravações para identificar a cadeia de comando do suposto esquema.

​O espaço segue aberto para futuras manifestações oficiais da defesa do governador e dos órgãos citados.

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