O pivô da disputa
Miguel Abdalla Netto não deixou filhos, cônjuge ou pais vivos. Diante da ausência de herdeiros diretos, o patrimônio — estimado em R$ 5 milhões, incluindo imóveis de luxo em São Paulo e um sítio no litoral paulista — entra na linha de sucessão para parentes colaterais.
De um lado, Suzane von Richthofen e seu irmão, Andreas, aparecem como os sobrinhos e herdeiros preferenciais segundo a ordem hereditária. De outro, a prima de primeiro grau do médico, Carmem Sílvia Magnani, reivindica o direito aos bens. Carmem alega ter vivido uma união estável com Miguel por cerca de 14 anos, o que, se comprovado judicialmente, a colocaria à frente dos sobrinhos na partilha.
O que diz a lei sobre o direito de Suzane
Embora Suzane tenha sido declarada indigna e excluída da herança de seus pais em 2015, especialistas jurídicos explicam que essa punição é restrita à herança da vítima do crime. No Direito Civil brasileiro, a indignidade não se estende automaticamente a outros parentes.
- Indignidade é pessoal: A lei impede que Suzane herde de quem ela matou (seus pais), mas não retira seu direito de herdar de outros familiares, como o tio.
- Ordem de Sucessão: Na falta de testamento, sobrinhos (Suzane e Andreas) têm prioridade legal sobre primos (Carmem).
- A questão do Testamento: Até o momento, não foi localizado um testamento oficial. Se Miguel tiver deixado um documento excluindo formalmente a sobrinha ou destinando seus bens a terceiros, Suzane poderá ficar sem a herança.
Movimentações recentes
A disputa começou poucas horas após o óbito. Suzane compareceu ao 27º Distrito Policial (Campo Belo) — a mesma delegacia onde foi investigada em 2002 — para tentar liberar o corpo do tio e se habilitar como inventariante dos bens. No entanto, a Justiça negou o pedido de Suzane, autorizando Carmem Sílvia a realizar os procedimentos de sepultamento, que ocorreu de forma discreta em Pirassununga (SP).
Andreas von Richthofen, que herdou sozinho a fortuna dos pais, vive atualmente em local desconhecido no litoral paulista e ainda não se manifestou formalmente sobre o espólio do tio.
Próximos passos
O desfecho depende agora de duas frentes judiciais:
- A perícia do IML para confirmar a causa da morte de Miguel Abdalla.
- A ação de reconhecimento de união estável movida por Carmem Sílvia. Caso a união não seja comprovada e nenhum testamento seja encontrado, Suzane e Andreas deverão dividir o patrimônio milionário em partes iguais.




