DIAS TOFFOLI manda PF entregar à PGR material apreendido em ação contra Daniel Vorcaro

Em um novo desdobramento do “Caso Master”, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que todo o material apreendido pela Polícia Federal na segunda fase da Operação Compliance Zero seja entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR). A decisão, proferida nesta quarta-feira (14) e atualizada nesta quinta-feira (15), marca um recuo do magistrado, que inicialmente havia ordenado que as provas fossem enviadas “lacradas” diretamente ao seu gabinete no STF.

​A operação mira o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de seus familiares e sócios, em uma investigação que apura uma suposta fraude bilionária. De acordo com o balanço mais recente da Polícia Federal, foram apreendidos 39 celulares, 31 computadores, 30 armas, R$ 645 mil em espécie e 23 veículos de luxo — um patrimônio avaliado em cerca de R$ 16 milhões. Além disso, o ministro autorizou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens dos investigados.

​Disputa e preservação de provas

​A mudança de destino das provas ocorreu após uma queda de braço institucional. Inicialmente, Toffoli criticou o que chamou de “falta de empenho” da PF no cumprimento das diligências e exigiu que o material fosse custodiado pelo Judiciário para evitar vazamentos. No entanto, peritos e investigadores alertaram que manter os aparelhos eletrônicos lacrados no STF, sem a devida extração técnica imediata, poderia resultar na perda de dados críticos devido a baterias descarregadas ou bloqueios remotos.

​Atendendo a um pedido do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, Toffoli reconsiderou a decisão. Agora, a PGR será responsável por coordenar a extração e análise dos dados. O ministro ordenou expressamente que os dispositivos sejam mantidos “eletricamente carregados e em modo avião” (desconectados de redes Wi-Fi e telefônicas) para garantir a integridade do conteúdo digital.

​O esquema sob investigação

​A Operação Compliance Zero investiga crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, organização criminosa e manipulação de mercado. O esquema envolveria o uso de fundos de investimento para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master e desviar recursos para o patrimônio pessoal de Vorcaro e seus parentes.

​Entre os outros alvos de destaque da operação estão:

  • Fabiano Campos Zettel: Cunhado de Vorcaro e CEO da Moriah Asset, que chegou a ser preso temporariamente no Aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para o exterior.
  • Nelson Tanure: Investidor conhecido, cujos fundos ligados ao Master também estão sob suspeita.
  • João Carlos Mansur: Fundador da gestora Reag, alvo de buscas.

​Reações

​Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades” e que todas as medidas judiciais serão atendidas com transparência. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a classificar o caso como uma das maiores potenciais fraudes bancárias da história do país, enquanto o Banco Central segue monitorando os desdobramentos para garantir a estabilidade do sistema financeiro.

​O material agora segue para a PGR, onde será iniciada a perícia técnica que deve embasar futuras denúncias ou novos pedidos de prisão.

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