A horticultura e a fruticultura brasileira vivem um momento de transformação profunda, impulsionado pela necessidade de alinhar produtividade a exigências cada vez mais rigorosas de sustentabilidade. No centro dessa mudança estão os bioinsumos, que deixaram de ser uma alternativa secundária para se tornarem protagonistas na busca por maior segurança alimentar e resiliência climática no campo.
O cenário atual: Desafios e complexidade
O setor de Hortifrúti (HF) enfrenta um cenário de “tempestade perfeita”. De um lado, as oscilações climáticas extremas — como ondas de calor e regimes de chuva irregulares — afetam o ciclo das plantas. De outro, a pressão econômica e as mudanças tributárias apertam as margens do produtor.
Renato Costa, gerente regional de especialidades da Biotrop, observa que a rentabilidade tem sido o principal ponto de atenção. Segundo o executivo, muitos agricultores registram ganhos abaixo do esperado devido a uma combinação de fatores:
- Instabilidade climática: Perda de vigor das culturas e aumento de pragas.
- Gestão estrutural: Ajustes em custos operacionais e impactos tributários.
- Exigência do mercado: Consumidores que demandam alimentos com menos resíduos químicos.
O papel dos bioinsumos na “nova” horticultura
Para responder a esses desafios, o uso de soluções biológicas tem crescido exponencialmente. De acordo com dados recentes do setor, o mercado de bioinsumos no Brasil deve manter um crescimento anual de dois dígitos, impulsionado justamente pelas culturas de alto valor agregado, como as frutas e hortaliças.
Os benefícios diretos citados por especialistas e reforçados pela atuação da Biotrop incluem:
- Redução de Resíduos: O uso de biodefensivos permite que o produtor controle pragas sem ultrapassar o Limite Máximo de Resíduos (LMR), facilitando a exportação e a aceitação em grandes redes de varejo.
- Saúde do Solo: Bioestimulantes e inoculantes recuperam a microbiota da terra, permitindo que a planta absorva nutrientes de forma mais eficiente, mesmo sob estresse hídrico.
- Segurança Alimentar: A substituição ou complementação de químicos por biológicos garante um produto final mais saudável para o consumidor final, elevando os padrões de qualidade do HF brasileiro.
“Embora o espectro de culturas seja amplo, muitos agricultores têm registrado rentabilidade abaixo do esperado, pressionados por fatores climáticos e desafios de gestão”, reforça Renato Costa. A estratégia, portanto, passa pela tecnologia que protege a planta de dentro para fora.
Tendências para 2026
As novidades mais recentes no setor apontam para a personalização dos biológicos. Já existem microrganismos específicos para aumentar o “shelf life” (tempo de prateleira) de folhosas e frutas sensíveis, reduzindo o desperdício pós-colheita — um dos maiores gargalos logísticos do país.
Além disso, a integração de bioinsumos com ferramentas de monitoramento digital permite que o produtor aplique a solução biológica no momento exato de maior eficácia, otimizando o investimento e garantindo que o padrão de segurança alimentar seja mantido do plantio à mesa.




