O sistema público de saúde de Londrina e região enfrenta um desafio recorrente: o abismo entre o diagnóstico e o tratamento especializado. Um paciente que aguardava desde 2023 por um exame de audiometria conseguiu realizar o procedimento recentemente, mas, ao tentar o retorno com o otorrinolaringologista no Posto Central, foi informado de que o profissional não presta mais serviços na unidade.
O relato expõe duas feridas abertas na gestão da saúde pública local: a alta rotatividade de médicos especialistas e a fragilidade no atendimento administrativo.
O gargalo da assistência especializada
A situação descrita pelo usuário reflete um cenário que se estende por diversos municípios do Paraná. Embora a realização do exame seja uma vitória após dois anos de espera, o “vazio” deixado pela saída do especialista interrompe a linha de cuidado. Sem o retorno, o exame perde sua utilidade imediata, mantendo o paciente em um ciclo de espera por tempo indeterminado.
De acordo com as atualizações mais recentes sobre a saúde na região (janeiro de 2026), a prefeitura tem buscado suprir essas demandas através do Consórcio Intermunicipal de Saúde (CISMEPAR), mas o volume de pacientes represados desde o período pós-pandemia ainda gera filas que ultrapassam os 18 meses em áreas como otorrinolaringologia e oftalmologia.
O fator humano e a gestão de protocolos
Além da falta do médico, o paciente destacou a experiência no atendimento frontal:
- Aparência Jovem: A inserção de jovens no mercado de trabalho é visível nas unidades de saúde, mas o relato aponta para uma falha na formação humanizada e técnica.
- Falta de Protocolos: A ausência de um comprovante físico ou número de protocolo no agendamento gera insegurança jurídica e emocional ao cidadão, que sai da unidade “sem nada nas mãos”.
- Capacitação: Como bem pontuado pelo usuário, quem atua na ponta precisa compreender que a saúde é o serviço mais valioso para a qualidade de vida. O “querer fazer o mais sem conseguir fazer o menos” sugere que a burocracia e a falta de preparo estão travando o fluxo básico do atendimento.




