O setor de suinocultura atravessa um momento de transformação técnica, onde o manejo nutricional das matrizes deixou de ser visto apenas como custo de manutenção para se tornar o pilar da rentabilidade do lote. Especialistas e novas pesquisas do setor reforçam que o arraçoamento estratégico no pré, durante e pós-parto é o fator determinante para o sucesso da maternidade.
“O cuidado com as matrizes suínas tem ganhado cada vez mais destaque na suinocultura, especialmente em relação ao arraçoamento, fornecimento de ração e bem-estar durante a gestação e lactação”, destaca Edryene Melo, médica-veterinária da Auster Nutrição Animal.
O desafio metabólico da lactação
Durante a fase de lactação, a exigência nutricional da fêmea atinge o ápice. A matriz precisa produzir leite em quantidade e qualidade suficientes para nutrir leiteões que, graças ao melhoramento genético, nascem em ninhadas cada vez maiores.
As novidades mais recentes no setor apontam para três frentes críticas:
- Curvas de arraçoamento dinâmicas: O fornecimento de ração não é mais linear. Utiliza-se agora o conceito de “alimentação de transição” (5 dias antes até 2 dias após o parto), focada em evitar a constipação e garantir energia rápida para o trabalho de parto.
- Conforto térmico e consumo: Com as temperaturas globais em elevação, tecnologias de resfriamento de precisão (como placas térmicas e ventilação localizada) têm sido aliadas à nutrição para evitar que a fêmea pare de comer devido ao estresse calórico.
- Aditivos fitogênicos e probióticos: A inclusão de componentes que melhoram a saúde intestinal da matriz reflete diretamente na imunidade dos leitões via colostro.
Impactos diretos no desempenho
Um manejo nutricional deficiente nesta fase gera o que o setor chama de “balanço energético negativo”. Quando a fêmea não consome o suficiente, ela mobiliza suas próprias reservas corporais (gordura e músculo), o que compromete sua longevidade.
| Fase de Manejo | Objetivo Principal | Impacto no Plantel |
| Pré-parto | Reservas de glicogênio | Partos mais rápidos e menor natimortalidade. |
| Lactação | Pico de produção de leite | Maior peso do leitão ao desmame. |
| Pós-parto/Desmame | Recuperação de escore corporal | Intervalo desmame-cio reduzido e maior taxa de ovulação. |
Inovação tecnológica no cocho
As últimas atualizações do mercado mostram a ascensão dos alimentadores automáticos de precisão. Esses sistemas permitem que a fêmea receba pequenas porções de ração fresca várias vezes ao dia, inclusive durante a noite, respeitando o comportamento natural da espécie e maximizando o consumo de matéria seca sem desperdícios.
Segundo o entendimento atual de empresas como a Auster, a nutrição deve ser encarada como uma ferramenta de bem-estar animal. Fêmeas bem alimentadas apresentam menor índice de estresse, o que reduz comportamentos agressivos e o risco de esmagamento de leitões.
“Garantir o aporte nutricional correto é assegurar que a matriz expresse todo o seu potencial genético, entregando leitões mais pesados e mantendo-se saudável para o próximo ciclo reprodutivo”, finaliza Melo.




