Colombo, PR — A Polícia Civil do Paraná concluiu o inquérito e indiciou Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, pelo crime de estelionato na cidade de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. O indiciamento foi formalizado após as autoridades reabrirem uma investigação de 2022, motivada pelo reconhecimento da suspeita por parte de vítimas paranaenses, logo após a repercussão nacional de sua prisão em Santa Catarina.
Amanda ganhou notoriedade no início de junho de 2026, quando foi presa preventivamente em Joinville (SC) sob a acusação de ter fingido ser uma menina de 12 anos para ser adotada por uma família local, com a qual conviveu por 14 meses utilizando o nome falso de “Gabriele”.
O golpe no Paraná: o caso “Emily”
No Paraná, o esquema adotado pela indiciada seguiu um roteiro semelhante de manipulação emocional. Em 2021, utilizando um grupo de oração online, Amanda se aproximou de moradores de Colombo fingindo ser “Emily”, uma adolescente de 13 anos.
Para comover os participantes do grupo e obter vantagens financeiras e acolhimento, ela relatou uma série de histórias trágicas, que incluíam abusos, abandono e um suposto diagnóstico de câncer terminal. O envolvimento emocional das vítimas foi tão profundo que uma delas chegou a tatuar o nome falso “Emily” em homenagem à suposta jovem — marca que foi removida cirurgicamente após a farsa vir à tona.
A ocorrência chegou a ser registrada na polícia paranaense em 2022, mas o procedimento havia sido arquivado temporariamente diante da impossibilidade de identificar a real autoria na época. Com a prisão de Amanda em Santa Catarina e a ampla divulgação de suas fotos, as vítimas do Paraná a reconheceram imediatamente e procuraram a delegacia para reabrir o caso.
Histórico de farsas pelo Brasil
De acordo com as investigações de diferentes estados, Amanda Maria Souza de Oliveira possui um longo histórico de aplicação de golpes idênticos em pelo menos seis unidades da federação, incluindo Rio Grande do Sul, Ceará, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Goiás. Em várias dessas ocasiões, ela se aproveitou de abrigos de menores e da boa-fé de instituições religiosas e de assistência social para se passar por uma criança em situação de extrema vulnerabilidade.
Interrogada pelas autoridades do Paraná sobre a denúncia em Colombo, a indiciada negou a autoria dos crimes. Paralelamente, a defesa de Amanda em Santa Catarina solicitou que ela seja submetida a exames de sanidade mental para avaliar se a acusada apresenta transtorno factício (condição em que o indivíduo simula doenças ou cria histórias de vitimização para atrair atenção e cuidados).
Amanda permanece presa preventivamente em Santa Catarina e agora também responderá formalmente à Justiça do Paraná pelo estelionato praticado na região de Curitiba.
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