A tecnologia tem transformado o mercado, mas também tem sido utilizada para fins ilícitos. Em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (PR), um cliente tentou aplicar um golpe inédito contra a hamburgueria Brutus Burguer ao utilizar inteligência artificial (IA) para forjar a imagem de uma barata dentro de um sanduíche. O objetivo era exigir o reembolso do valor do pedido por meio de uma plataforma de entrega de comida.
O proprietário do estabelecimento, Alisson Zen, desconfiou imediatamente da denúncia enviada pelo suposto cliente. Ao analisar detalhadamente a foto que acompanhava a reclamação, a equipe da hamburgueria notou graves inconsistências que entregaram a fraude: o inseto retratado estava “limpo” demais para um alimento montado, e a maionese aparecia em um local e com uma tonalidade completamente diferentes do padrão de produção e dos ingredientes reais utilizados pela marca.
Diante do absurdo, o empresário recusou o estorno e decidiu expor o caso nas redes sociais como uma forma de alerta para outros comerciantes da região. Segundo relatos, a tática de usar IA para modificar fotos — simulando mofo, cabelos ou insetos nos alimentos — tem crescido entre golpistas que tentam se alimentar de graça às custas de restaurantes e entregadores.
De acordo com autoridades policiais e especialistas jurídicos, essa conduta não é apenas uma “brincadeira” ou má-fé do consumidor. A manipulação deliberada de imagens para obter vantagem financeira indevida e enganar estabelecimentos comerciais configura crime de estelionato. Além das sanções criminais, os golpistas identificados podem responder civilmente por perdas, danos e calúnia contra a reputação das empresas afetadas.
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