Damares divulga nomes de igrejas e pastores na CPMI do INSS após embate com Malafaia

Damares divulga nomes de igrejas e pastores na CPMI do INSS após embate com Malafaia
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) tornou pública, nesta semana, uma lista de instituições religiosas e líderes evangélicos que são alvos de requerimentos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A divulgação ocorreu em resposta direta ao pastor Silas Malafaia, que a chamou publicamente de “leviana e linguaruda” após a senadora ter declarado que “grandes igrejas e pastores” estariam envolvidos em esquemas de corrupção contra aposentados.
O embate escalou após Malafaia exigir provas e nomes, alegando que a fala generalizada de Damares manchava a imagem da liderança evangélica. Em nota e publicações em suas redes sociais, a senadora rebateu: “Eu não submeto minhas ações parlamentares a ele”. Ela destacou que os pedidos de investigação se baseiam em indícios concretos fornecidos pela Receita Federal e por relatórios de inteligência financeira.
Instituições e líderes na mira da CPMI
Entre as organizações religiosas que tiveram pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal protocolados ou analisados pela comissão estão a Adoração Church, a Assembleia de Deus Ministério do Renovo, a Deus é Fiel Church (também conhecida como Sete Church) e a Igreja Evangélica Campo de Anatote. Mais recentemente, a senadora também mencionou que há menções à Assembleia de Deus do Amazonas, liderada pelo deputado Silas Câmara, que já teria fornecido dados ao colegiado.
No campo das lideranças individuais, os nomes citados incluem:

  • André Valadão: Alvo de requerimentos de quebra de sigilo e convocação, especialmente por sua ligação com a fintech Clava Forte Bank.
  • Fabiano Campos Zettel: Empresário e líder religioso, Zettel chegou a ser detido temporariamente na operação “Compliance Zero”, que investiga irregularidades ligadas ao Banco Master, e foi convidado a prestar depoimento.
  • André Fernandes, César Bellucci e Péricles Albino: Líderes religiosos convidados pela comissão para esclarecer possíveis movimentações financeiras atípicas.
    Desdobramentos e defesas
    As investigações da CPMI do INSS buscam desvendar um esquema bilionário de descontos indevidos em benefícios previdenciários, onde associações e, supostamente, entidades religiosas estariam sendo utilizadas como ponte para lavagem de dinheiro ou recebimento de repasses irregulares.
    Em resposta às citações, o pastor André Fernandes declarou que não é investigado, mas apenas convidado para colaborar. A defesa de Fabiano Zettel sustenta que suas atividades são lícitas e sem relação com a gestão do Banco Master. Já André Valadão ainda não detalhou sua defesa sobre os pedidos de quebra de sigilo.
    Diante da complexidade e do volume de documentos, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI, anunciou que o prazo para a entrega do relatório final será prorrogado por mais dois meses. O clima nos bastidores do Congresso é de tensão, uma vez que a investigação atinge o núcleo de apoio de importantes frentes parlamentares, gerando rachas profundos entre figuras de destaque da base evangélica.

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