Ações da Ânima Educação desabam mais de 30% após anúncio de compra da FMU

​A Ânima Educação (ANIM3) anunciou a aquisição de 100% das cotas das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), atualmente em recuperação judicial, pelo valor de R$ 410 milhões. A transação, no entanto, não foi bem recebida pelo mercado financeiro. No pregão seguinte ao anúncio, os papéis da companhia despencaram mais de 30% na B3, registrando uma das quedas intradiárias mais acentuadas desde sua estreia na Bolsa, em 2013.

​Os detalhes financeiros da operação

​O acordo prevê que a Ânima desembolsará R$ 240 milhões à vista no momento do fechamento do negócio. Os R$ 170 milhões restantes serão pagos até 31 de dezembro de 2029 (ou em até três anos após a homologação definitiva do Conselho Administrativo de Defesa Econômica – Cade, o que ocorrer primeiro), corrigidos pelo CDI e sujeitos a um mecanismo de earn-out atrelado ao desempenho operacional futuro da FMU e às cotações das ações da própria Ânima.

​Como a FMU carrega uma dívida líquida ajustada de R$ 150,3 milhões, o valor total da transação (enterprise value) sobe para R$ 560,3 milhões.

​O ceticismo do mercado e o rebaixamento de recomendação

​O principal fator por trás da forte desvalorização das ações foi a avaliação de analistas de que o preço pago pelo ativo foi elevado. Instituições financeiras de peso, como o BTG Pactual, rebaixaram a recomendação das ações da Ânima de “compra” para “neutra”, reduzindo drasticamente o preço-alvo de R$ 7 para R$ 4.

​Segundo analistas, a transação foi fechada a um múltiplo implícito de aproximadamente 10 vezes o lucro operacional (Ebitda) ajustado dos últimos 12 meses da FMU (que registrou Ebitda de R$ 52,9 milhões no período). O patamar é considerado caro, especialmente quando comparado ao múltiplo de negociação da própria Ânima na Bolsa, que gira próximo de 3,3 vezes o Ebitda, e de outras concorrentes do setor de educação.

​O mercado também aponta que a aquisição eleva o nível de alavancagem financeira da Ânima, comprometendo a forte geração de caixa e o pagamento de dividendos que vinham sendo um diferencial da tese de investimento da companhia. Adicionalmente, especialistas como os do Citi alertam para a complexidade operacional de integrar uma instituição de ensino que passa por um processo de recuperação judicial.

​A tese estratégica da Ânima

​Apesar do ceticismo inicial do mercado, a gestão da Ânima defende o valor estratégico do negócio. A FMU conta com cerca de 51 mil alunos, seis campi na cidade de São Paulo e mais de 200 polos de ensino a distância (EAD). O grupo comprador enxerga na aquisição uma oportunidade de ouro para consolidar sua liderança na capital paulista — o maior mercado educacional do país — e capturar sinergias por meio da integração de sistemas operacionais, ganho de escala e fortalecimento do ensino digital e semipresencial.

​A diretoria projeta que, após as sinergias e ajustes, o Ebitda normalizado da FMU possa saltar para uma faixa entre R$ 97 milhões e R$ 131 milhões, o que reduziria o múltiplo efetivo da compra para patamares entre 4 e 5 vezes o Ebitda.

​Histórico e próximos passos

​Um detalhe curioso da transação é que a FMU já esteve sob a gestão da Ânima em 2020, quando o grupo adquiriu os ativos da Laureate no Brasil. Na ocasião, para obter o aval regulatório do Cade, a Ânima foi obrigada a vender a FMU para o fundo de private equity Farallon, que agora repassa o ativo de volta à empresa de educação.

​A conclusão definitiva do negócio depende agora de condições usuais de auditoria e, novamente, do aval do Cade, cuja decisão final está prevista para o término de 2026.


Descubra mais sobre O expresso Br

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *