O tabuleiro político para as eleições de 2026 entrou em uma fase de ebulição nesta segunda quinzena de janeiro. O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), que até então mantinha uma postura cautelosa, subiu o tom e declarou oficialmente que está pronto para aceitar o “desafio” de disputar a Presidência da República, caso seja o nome escolhido pelo partido. No entanto, o que parece ser um movimento de unidade esconde um racha profundo no PSD e uma complexa engenharia política liderada por Gilberto Kassab.
O “sim” condicionado de Ratinho
Em declarações recentes, Ratinho Júnior afirmou que “as pessoas não aguentam mais a briga política” e que seu foco está em um “projeto para o Brasil” e não apenas em nomes. Apesar do discurso moderado, o governador já admite que, se houver consenso interno, colocará seu nome nas urnas contra o presidente Lula. Pesquisas internas recentes, como a Genial/Quaest, mostram Ratinho como um dos nomes mais competitivos da direita, aparecendo com 36% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra os 43% de Lula.
O racha no Paraná e o “Plano B” do Senado
Apesar do otimismo nacional, a situação doméstica no Paraná é de “guerra”, como definem interlocutores do Palácio Iguaçu. A dificuldade em fechar a candidatura de Ratinho Júnior ao Planalto passa pela sua própria sucessão no estado:
- Guerra de Sucessores: O PSD paranaense está dividido entre apoiar o vice-governador Darci Piana, o deputado Guto Silva ou o atual presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi.
- Risco de Isolamento: Se Ratinho renunciar ao governo em abril de 2026 para disputar o Planalto ou o Senado, ele perde a caneta e o controle direto sobre a máquina estadual, correndo o risco de ver seu sucessor não se viabilizar.
- Vaga no Senado: Para muitos analistas, o “porto seguro” de Ratinho Júnior ainda é a disputa por uma das duas vagas ao Senado pelo Paraná, onde ele lidera com folga (31% das intenções de voto em pesquisas recentes), superando nomes como Gleisi Hoffmann e Deltan Dallagnol.
A estratégia de Kassab: O mestre do equilíbrio
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, joga em várias frentes. Ao mesmo tempo que dá aval para Ratinho Júnior se viabilizar, ele mantém as portas abertas para o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (recém-filiado ao PSD), e não descarta alianças regionais com o próprio governo Lula.
Kassab encomendou pesquisas qualitativas para fevereiro para medir a capilaridade de Ratinho nas classes C e D, buscando entender se a imagem de “gestor eficiente” do Paraná consegue romper a polarização nacional.
Obstáculos no horizonte
O projeto nacional de Ratinho esbarra em dois grandes entraves:
- Alianças locais: Em pelo menos seis estados, diretórios do PSD já sinalizam que preferem manter o apoio ao governo Lula em troca de governabilidade local, o que poderia “cristianizar” (abandonar) uma candidatura própria do partido ao Planalto.
- O fator Tarcísio: Se o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, decidir entrar na disputa, o espaço para Ratinho Júnior na direita diminui drasticamente, empurrando o paranaense de volta para a disputa ao Senado ou para uma vice-presidência.
O fato é que a candidatura de Ratinho Júnior hoje é um balão de ensaio de luxo: serve para valorizar o passe do PSD nas negociações nacionais e para testar se o eleitorado busca uma “terceira via” com sotaque sulista e perfil empresarial. A decisão final, porém, só deve ser selada após as pesquisas de fevereiro e a definição do xadrez das sucessões estaduais.




