OZEMPIC e Wegovy geram economia milionária para American, Delta e United

Análise mostra que redução de peso médio dos passageiros tem impacto direto nos custos com combustível

​O setor de aviação civil, historicamente obcecado por cada grama transportada em suas aeronaves, encontrou um aliado improvável na indústria farmacêutica. Relatórios recentes de instituições financeiras, como o banco Jefferies, revelam que a popularização dos medicamentos para perda de peso da classe GLP-1 — como o Ozempic e o Wegovy — está começando a impactar positivamente as planilhas de custos das maiores companhias aéreas do mundo.

​A lógica é puramente física: quanto menos peso um avião carrega, menos combustível ele queima. De acordo com os dados mais recentes de janeiro de 2026, analistas estimam que uma redução de apenas 10% no peso médio dos passageiros poderia gerar uma economia anual de aproximadamente US$ 580 milhões (cerca de R$ 3 bilhões) para as quatro maiores companhias dos EUA: American Airlines, Delta Air Lines, United Airlines e Southwest.

​O peso do lucro

​O combustível representa hoje cerca de 20% a 25% dos custos operacionais de uma aérea. Em um Boeing 737 Max 8, por exemplo, se o peso médio de cada passageiro cair cerca de 4,5 kg, o avião decola significativamente mais leve. Para a United Airlines, essa pequena variação individual poderia resultar em uma economia de 27,6 milhões de galões de combustível por ano.

​O impacto financeiro é tão direto que o lucro por ação (EPS) dessas empresas pode saltar entre 3% e 4% apenas com essa mudança demográfica. A American Airlines seria a maior beneficiada, com uma valorização estimada de até 11% em seus lucros, devido à sua alta sensibilidade aos preços dos combustíveis.

​Do injetável ao comprimido: a nova fase em 2026

​A tendência deve se acelerar ao longo de 2026. A chegada de versões em comprimido desses medicamentos, mais baratas e fáceis de administrar do que as injeções semanais, promete democratizar o acesso ao tratamento. No Brasil, a queda da patente do Ozempic, prevista para este ano, abre caminho para versões genéricas produzidas por laboratórios como a Biomm e a EMS, o que deve ampliar o número de brasileiros em tratamento.

​Histórico de “caça aos quilos”

​A busca por leveza não é nova. No passado, companhias aéreas já adotaram medidas extremas:

  • United Airlines: Reduziu a gramatura do papel de sua revista de bordo (Hemisphere), economizando US$ 290 mil anuais em combustível.
  • American Airlines: Ficou famosa nos anos 80 por remover uma única azeitona de cada salada servida na primeira classe, economizando US$ 40 mil por ano.
  • Outras medidas: Substituição de talheres de metal por plástico e redução da quantidade de água potável carregada em voos curtos.

​Agora, o “efeito Ozempic” transfere essa economia do design da aeronave para a biologia dos passageiros. Embora a mudança ocorra fora do controle das empresas, ela chega em um momento crucial de pressão por metas de sustentabilidade e redução de emissões de carbono, provando que, na aviação, até a saúde pública pode ser um combustível para a rentabilidade.

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