Procon-SP revela que preço de remédios pode variar até 25 vezes entre farmácias e indica compras online como alternativa mais barata

​Uma pesquisa recente divulgada pelo Procon-SP acendeu um alerta importante para o bolso dos consumidores paulistas. O levantamento revelou discrepâncias alarmantes nos preços de medicamentos vendidos em farmácias físicas na capital, com variações que chegam a impressionantes 2.433,59% para o mesmo produto — o que significa que um remédio pode custar 25 vezes mais dependendo do estabelecimento escolhido.

​Diante desses dados, a recomendação de especialistas e órgãos de defesa do consumidor é unânime: pesquisar antes de comprar tornou-se indispensável.

​O caso extremo: Tadalafila

​O exemplo que registrou a maior oscilação de preço na pesquisa foi o medicamento genérico Tadalafila (5 mg, caixa com 30 comprimidos), muito utilizado para disfunção erétil. Enquanto em uma farmácia localizada na Zona Sul de São Paulo o produto era comercializado por apenas R$ 3,87, em outro estabelecimento na Zona Norte o mesmo item saía por R$ 98,05.

​Embora as diferenças sejam menores entre os medicamentos de referência (fórmula original de marca), elas ainda são expressivas. A maior variação nessa categoria foi de 286,11% no hormônio tireoidiano Synthroid (25 mcg, caixa com 30 comprimidos), cujos valores oscilaram entre R$ 10,73 e R$ 41,43.

​Alta acima da inflação impulsiona busca por economia

​A pesquisa do Procon-SP também comparou a evolução de preços de 33 medicamentos de referência e 33 genéricos. O resultado mostra que os remédios subiram muito acima da inflação oficial acumulada. Enquanto o índice geral de inflação ficou em 4,99%, a alta média dos produtos de referência chegou a 8,43%. O cenário foi ainda pior para os medicamentos genéricos, que sofreram uma alta expressiva de 12,74%.

​Vale ressaltar que nenhuma das drogarias fiscalizadas ultrapassou o teto de preço máximo estabelecido pelo governo federal. No entanto, por atuarem sob a lei da livre concorrência, os estabelecimentos têm autonomia para aplicar descontos e definir suas próprias margens de lucro abaixo desse teto, gerando as gigantescas distorções encontradas.

​Compras online são mais baratas, aponta levantamento

​Para quem busca economizar, a internet surge como a principal aliada. O Procon-SP analisou e comparou os preços de lojas físicas com os de dez grandes portais de comércio eletrônico farmacêutico. Os dados indicam que:

  • ​Os medicamentos genéricos vendidos online são, em média, 20,58% mais baratos do que nas lojas físicas.
  • ​Os medicamentos de referência apresentam preços 8,13% menores na internet.

​Ainda assim, o órgão adverte que o consumidor não deve relaxar na pesquisa online. Mesmo na web, variações brutas foram registradas. Um exemplo citado foi o citrato de sildenafila (medicamento para pressão e disfunção), encontrado por R$ 0,89 em um site e por R$ 11,90 em outro — uma variação de mais de 1.200%.

​Dicas para o consumidor

​Para evitar pagar a mais na hora de comprar os seus medicamentos, os órgãos de proteção sugerem adotar alguns hábitos simples:

  1. Pesquise em canais digitais: Antes de se dirigir à farmácia física, consulte o aplicativo ou site da própria rede. Muitas vezes, os preços de retirada na loja física comprando online são significativamente menores.
  2. Cadastros de fidelidade e laboratórios: Utilize programas de fidelidade das farmácias e verifique se o medicamento prescrito possui desconto direto do laboratório fabricante (Programas de Benefício em Medicamentos – PBM).
  3. Consulte a lista de genéricos: Sempre pergunte ao médico se há a opção de substituir o medicamento de marca por um genérico correspondente, que costuma ser muito mais em conta.

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