O Parque Nacional do Iguaçu, no oeste do Paraná, confirmou nesta semana um marco histórico para a conservação da fauna brasileira. A onça-pintada Janaína, uma das fêmeas mais emblemáticas monitoradas na região, foi flagrada por armadilhas fotográficas acompanhada de dois novos filhotes. Com este registro, Janaína torna-se a primeira onça-pintada acompanhada pelo Projeto Onças do Iguaçu a documentar cinco crias ao longo de sete anos de monitoramento.
As imagens, capturadas originalmente em dezembro de 2025 e divulgadas agora em janeiro de 2026, mostram os pequenos felinos caminhando sob a proteção da mãe. Segundo os biólogos e pesquisadores do projeto, os filhotes aparentam ter entre quatro e cinco meses de idade e apresentam bom estado de saúde.
Uma trajetória de esperança
Janaína é monitorada desde 2018 e seu histórico reprodutivo é um indicador vital da saúde do ecossistema local. Antes dos atuais filhotes, ela já havia registrado outras quatro ninhadas: em 2019 (dois filhotes), 2021 (um), 2023 (três) e 2024 (com a filhote Tainá). O nascimento sucessivo de novos indivíduos reforça que o Parque Nacional do Iguaçu permanece como um dos refúgios mais produtivos para a espécie, que é considerada criticamente ameaçada na Mata Atlântica.
O nome “Janaína”, que significa “senhora das águas”, foi escolhido por moradores da região (Serranópolis do Iguaçu), simbolizando a conexão entre a comunidade e os esforços de preservação.
O impacto para a biodiversidade
Para a bióloga Yara Barros, coordenadora do Projeto Onças do Iguaçu, a notícia é motivo de comemoração internacional. “O registro de filhotes é sempre uma alegria, pois indica que a mata está bem e comportando essa população. Ver uma fêmea como a Janaína prosperar tanto tempo em vida livre é a prova de que o trabalho de monitoramento e proteção está dando resultados”, afirmou em comunicado oficial.
Atualmente, estima-se que existam cerca de 25 onças-pintadas vivendo nos 185 mil hectares do Parque Nacional do Iguaçu. A unidade de conservação é hoje o único local da Mata Atlântica onde a população da espécie está comprovadamente crescendo, contrastando com o declínio observado em outros biomas.
Próximos passos
A equipe técnica continuará o acompanhamento remoto da nova família. Assim que for possível determinar o sexo dos filhotes, o projeto pretende realizar uma campanha para que o público ajude a escolher os nomes, buscando engajar a sociedade na proteção do maior felino das Américas.
O projeto conta com o apoio do ICMBio e da concessionária Urbia+Cataratas, que recentemente reforçaram o investimento em tecnologias de monitoramento e programas de educação ambiental nas comunidades vizinhas ao parque para garantir a coexistência pacífica entre humanos e onças.




