Em um gesto raro de exposição pública de falhas administrativas, o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, demitiu sumariamente o vice-primeiro-ministro Yang Sung-ho. O anúncio foi feito durante uma inspeção ao Complexo de Máquinas de Ryongsong, onde o ditador utilizou metáforas contundentes para justificar a saída do oficial por “extrema incompetência”.
O “erro incidental” de Pyongyang
Durante seu discurso, proferido diante de trabalhadores e cúpula do governo, Kim Jong-un afirmou que a nomeação de Yang foi um “erro incidental” no processo de seleção de pessoal do regime. Ao descrever a atuação do vice-premiê no projeto de modernização industrial, Kim disparou: “Para usar uma linguagem mais simples e figurativa, ele era como uma cabra puxando uma carroça de bois. Poderíamos esperar que uma cabra puxasse uma carroça feita para um boi?”.
Segundo a agência estatal KCNA, Yang Sung-ho — que era o responsável pela indústria de construção de máquinas — foi acusado de causar “confusão artificial desnecessária” e prejuízos econômicos significativos durante as obras de renovação do complexo fabril em Hamgyong.
Contexto político: Purgas e o 9º Congresso do Partido
Especialistas em geopolítica asiática indicam que a demissão pública não é apenas uma questão de eficiência técnica. A ação ocorre em um momento de preparação para o 9º Congresso do Partido dos Trabalhadores, previsto para as próximas semanas.
Analistas sugerem que Kim Jong-un está utilizando Yang como um “bode expiatório” para transferir a responsabilidade pelos problemas econômicos crônicos do país, agravados por sanções internacionais e pelo foco desproporcional em armamentos. O líder norte-coreano tem endurecido o tom contra o “derrotismo e a passividade” da burocracia estatal, sinalizando que novas reformas e purgas no gabinete podem ocorrer para “limpar o mal” da máquina pública antes do grande evento partidário.
Repercussão internacional
Enquanto a Coreia do Norte reforça sua disciplina interna, o cenário externo permanece tenso. Relatos recentes indicam que o país continua priorizando seu programa nuclear e o desenvolvimento de submarinos de propulsão atômica, apesar das dificuldades econômicas citadas pelo próprio Kim durante suas visitas a fábricas civis.
A saída de Yang Sung-ho, ordenada “no ato” por Kim, serve como um aviso severo aos demais oficiais: no atual regime, a falha na execução das metas econômicas pode resultar em humilhação pública e destituição imediata.




