O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta terça-feira a Operação Janus. A ação tem como foco desarticular uma rede financeira clandestina do Primeiro Comando da Capital (PCC), além de apurar a atuação da facção em decisões de “tribunais do crime” e esquemas de lavagem de dinheiro no estado.
Principais alvos e mandados judiciais
A operação cumpre 18 mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça paulista. Entre os investigados de destaque estão:
- Leonardo Monteiro Moja (“Léo do Moinho”): Apontado pelas investigações como uma das lideranças centrais da facção e articulador do esquema de lavagem na Favela do Moinho.
- Alexandre Salles Brito (“Buiu”): Integrante de alta relevância na estrutura logística do grupo.
- Cléber Azevedo dos Santos: Empresário investigado por operar a movimentação e bancarização de recursos ilícitos.
Além dos mandados, a Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros de até R$ 10 milhões por alvo e a imposição de restrições patrimoniais sobre empresas de fachada.
Esquema do “banco clandestino” e tribunais do crime
As investigações apontam que a rede funcionava como um verdadeiro “banco clandestino”, integrando recursos do tráfico de drogas ao sistema financeiro formal através de empresas de fachada, laranjas e depósitos fracionados.
Pontos de destaque da investigação:
- Transição de recursos: O nome da operação (“Janus”, divindade romana associada às passagens) remete ao fluxo de dinheiro em espécie convertido para o sistema financeiro bancário.
- Tribunais do Crime: Gravações internas capturaram decisões sobre disputas privadas, incluindo litígios imobiliários e execuções no âmbito informal da facção.
- Apropriação de bens: Operadores utilizavam a estrutura financeira para aquisição de imóveis e veículos de luxo em nome de terceiros.
As ações ostensivas continuam no estado de São Paulo com apoio da Polícia Militar para o cumprimento das ordens judiciais restantes.
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