Racismo na Copa do Mundo: FIFA e autoridades enfrentam alta de ataques virtuais contra Mbappé e outros atletas

​A Copa do Mundo chegou ao fim, mas deixou em evidência um problema persistente e alarmante: a escalada dos casos de racismo no futebol. Logo após o encerramento do torneio, jogadores como Kylian Mbappé e outros atletas de seleções de destaque tornaram-se alvos de enxurradas de ofensas racistas e xenófobas em plataformas digitais e redes sociais.

​Especialistas e ativistas que acompanham a discriminação no esporte alertam que a violência racial não é um fenômeno novo no futebol, mas que ganhou novas proporções e dinâmicas na era digital. O anonimato das redes, somado à lentidão de moderação por parte das empresas de tecnologia, criou um ambiente em que torcedores e usuários propagam discursos de ódio com sensação de impunidade.

O perfil dos ataques e o papel das redes sociais

​De acordo com análises sobre o comportamento do público durante e após o mundial, o racismo no futebol tem se manifestado principalmente de duas formas:

  • Ataques direcionados em perfis pessoais: Comentários com emojis preconceituosos, xingamentos e termos desumanizadores nas contas dos próprios atletas.
  • Hostilidade em estádios e arredores: Manifestações pontuais em arquibancadas e aglomerações de torcedores.

​Jogadores como Mbappé, que desempenham papéis de liderança em suas seleções, muitas vezes são desproporcionalmente visados no momento em que suas equipes enfrentam derrotas ou eliminações, evidenciando como a cobrança esportiva descamba rapidamente para o preconceito racial.

O que dizem os especialistas

​Para sociólogos e juristas que atuam no combate à discriminação, a Copa do Mundo funciona como um espelho amplificado da sociedade. O aumento dos casos relatados reflete não apenas o crescimento do preconceito, mas também um movimento de maior denúncia e conscientização por parte das vítimas e das entidades de direitos humanos.

​”O racismo no futebol nunca deixou de existir; ele apenas se adapta aos novos meios de comunicação. Quando um atleta negro erra um pênalti ou perde um jogo, o preconceito latente na sociedade encontra uma brecha para se manifestar sob o disfarce de paixão clubística ou nacionalista.”

Cobranças por punições efetivas

​Diante do cenário, cresce a pressão sobre a FIFA, federações nacionais e grandes plataformas de tecnologia para que medidas concretas sejam adotadas:

  1. Identificação e responsabilização: Uso de tecnologia para identificar perfis falsos e encaminhar os dados às autoridades policiais locais.
  2. Sanções desportivas: Perda de pontos, portões fechados ou exclusão de competições para federações cujas torcidas pratiquem atos racistas de forma reincidente.
  3. Remoção rápida de conteúdo: Exigência de que as redes sociais atuem com maior agilidade na exclusão de comentários e contas ofensivas.

​Apesar das campanhas institucionais e mensagens de conscientização exibidas antes das partidas, o consenso entre especialistas é que o combate ao racismo no esporte exige ações punitivas exemplares, dentro e fora dos campos.


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