Em uma ofensiva coordenada contra o crime financeiro moderno, a Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (21 de janeiro de 2026) a Operação Narco Azimut. A ação mira uma organização criminosa sofisticada, suspeita de movimentar mais de R$ 39 milhões em um esquema que utilizava criptoativos para ocultar a origem ilícita de recursos, com conexões que envolvem desde o tráfico de drogas até influenciadores digitais.
Detalhes da Operação e Envolvidos
De acordo com as investigações, o grupo operava uma estrutura complexa para converter dinheiro em espécie e transferências bancárias em criptomoedas, facilitando a evasão de divisas e a dissimulação patrimonial tanto no Brasil quanto no exterior.
A operação é um desdobramento de investigações anteriores que levaram à prisão do influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira, e do empresário Rodrigo Morgado em outubro de 2025. A PF aponta que os novos alvos desta fase mantinham a engrenagem financeira do grupo funcionando, utilizando empresas de fachada e contas em nome de terceiros (laranjas) sem lastro contábil.
Mandados e Apreensões
A Justiça Federal expediu sete mandados de prisão temporária e diversos mandados de busca e apreensão, que estão sendo cumpridos nas seguintes localidades:
- São Paulo: Santos, Ferraz de Vasconcelos, São Bernardo do Campo e São José dos Campos;
- Goiás: Goiânia;
- Rio de Janeiro: Armação de Búzios.
Além das prisões, o Poder Judiciário determinou o sequestro de bens e o bloqueio de ativos financeiros que ultrapassam a marca de R$ 670 milhões, visando descapitalizar a estrutura da organização. Durante as buscas de hoje, os agentes já apreenderam veículos de luxo, dinheiro em espécie e documentos que reforçam os indícios de lavagem de capitais.
Conexões com o Crime Organizado
Um dos pontos mais sensíveis da investigação é a ligação do esquema com o chamado “contador do PCC”. Segundo a Polícia Federal, a rede de lavagem de dinheiro servia como suporte logístico-financeiro para facções criminosas, permitindo que o lucro do tráfico de entorpecentes fosse “limpo” por meio da volatilidade e do relativo anonimato das corretoras de ativos digitais.
Contexto Recente
Esta ação ocorre apenas um mês após a Operação Krypto Laundry, que em dezembro de 2025 revelou um esquema ainda maior, com movimentações de R$ 3,8 bilhões e ramificações na Espanha. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, reiterou em comunicados recentes que a instituição tem investido em tecnologia de rastreio de blockchain para combater a falsa sensação de impunidade no mercado de criptoativos.
Os investigados poderão responder por crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa, cujas penas somadas podem ultrapassar 30 anos de reclusão. A Polícia Federal continua a análise dos materiais apreendidos para identificar outros membros da rede e novos fluxos financeiros ilícitos.




