A Polícia Federal (PF) notificou oficialmente o senador e ex-governador da Bahia, Jaques Wagner (PT-BA), para prestar depoimento no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de fraude financeira, lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas ligado ao Banco Master e ao seu controlador, o banqueiro Daniel Vorcaro. O depoimento está agendado para o dia 7 de agosto, na sede da corporação em Brasília.
As investigações apontam Jaques Wagner como um dos supostos beneficiários centrais do esquema. De acordo com os relatórios do inquérito instaurado pela PF, o parlamentar teria atuado no Congresso Nacional para defender pautas de interesse privado da instituição financeira em troca de facilidades e contrapartidas patrimoniais.
Apartamento de R$ 2,5 milhões e repasses a familiares
Entre os pontos centrais apurados pelos investigadores está a aquisição de um apartamento de alto padrão em Salvador (BA), avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões. Mensagens interceptadas pela PF sugerem que o imóvel foi adquirido por meio de intermediários — entre eles o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master —, atendendo a solicitações do próprio senador e de parentes próximos.
Além da negociação imobiliária, a corporação apura repasses financeiros que somam aproximadamente R$ 3,5 milhões. Os valores teriam sido transacionados por meio de empresas ligadas a familiares do parlamentar, incluindo a nora do senador e o enteado Eduardo Mendonça Sodré Martins, sob a suspeita de utilização de contratos simulados para ocultar a origem dos recursos.
Em junho deste ano, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Wagner em Brasília e na Bahia. Na ocasião, os agentes apreenderam cerca de US$ 49 mil em espécie no endereço ocupado pelo senador na capital federal, além de quantias adicionais em euros e reais e relógios de luxo.
Desdobramentos políticos no Planalto
As repercussões da investigação abalaram a sustentação do governo no Congresso. Diante do desgaste provocado pelas buscas e apreensões e pela proximidade das investigações com o Palácio do Planalto, Jaques Wagner deixou o cargo de líder do governo Lula no Senado. Aliados consideraram a permanência no posto insustentável para a blindagem política da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar do afastamento da liderança, o senador permanece em plena articulação política regional na Bahia, onde atua no alinhamento de chapas para as próximas disputas eleitorais.
O que dizem os envolvidos
Procurado sobre a intimação e o teor das acusações, Jaques Wagner reiterou que é inocente e declarou estar tranquilo quanto aos desdobramentos do processo. O senador afirmou que prestará os esclarecimentos necessários à Justiça e que se manifestará formalmente por meio de seus advogados.
Em entrevistas recentes, Wagner declarou que sua relação com Daniel Vorcaro era “praticamente zero” e sustentou que a transação referente ao imóvel em Salvador trata-se de um arranjo privado comercial sem qualquer vínculo com atuação parlamentar.
A defesa dos empresários Daniel Vorcaro e Augusto Lima, assim como a instituição financeira Banco Master, sustentam a regularidade de suas operações financeiras e negam a existência de qualquer repasse ilegal a agentes públicos.
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