ANVISA e polícia alertam para riscos de morte em canetas emagrecedoras falsificadas

A busca pelo emagrecimento rápido tem alimentado um mercado clandestino perigoso no Brasil. Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e as autoridades policiais intensificaram os alertas após uma série de internações graves e apreensões de medicamentos falsificados, como o Ozempic e o Mounjaro. O que muitos consumidores ignoram é que, por trás de um preço atrativo na internet, pode estar uma substância letal ou completamente ineficaz.

​O perigo oculto: insulina em vez de semaglutida

​Um dos casos mais alarmantes registrados recentemente envolveu uma paciente em Belo Horizonte, internada com sintomas neurológicos graves após utilizar uma caneta comprada no mercado paralelo. Investigações apontam que criminosos estão reutilizando canetas de insulina usadas ou fabricando réplicas preenchidas com doses altíssimas de insulina.

​Quando uma pessoa que não possui diabetes utiliza doses elevadas de insulina, ela pode sofrer um choque hipoglicêmico. Os danos incluem:

  • Coma hipoglicêmico: Queda brusca do açúcar no sangue que pode levar à morte cerebral.
  • Danos neurológicos: Convulsões e sequelas permanentes devido à falta de glicose no cérebro.
  • Infecções: O uso de canetas reaproveitadas ou manipuladas em ambientes insalubres traz o risco de sepse e outras contaminações bacterianas.

​A ofensiva da Anvisa e os lotes proibidos

​Em novembro de 2025 e janeiro de 2026, a Anvisa ampliou a lista de produtos proibidos. Marcas como T.G. 5, Lipoless, Tirzazep Royal Pharmaceuticals e T.G. Indufar foram banidas por não possuírem registro sanitário nem comprovação de segurança. Além disso, a agência alertou para sites falsos que usam o domínio “.gov.br” para enganar consumidores, oferecendo as “canetas milagrosas” com descontos de até 70%.

​”Medicamento não é cosmético. O uso dessas substâncias sem acompanhamento médico pode causar pancreatite aguda, insuficiência renal e problemas hepáticos”, alertam especialistas do Conselho Federal de Medicina (CFM).

​Como identificar um produto falsificado

​Para evitar cair em golpes que colocam a vida em risco, as autoridades recomendam atenção aos seguintes sinais:

  1. O seletor de dose: No caso do Ozempic 1mg original, o seletor deve mostrar apenas a dose de 1mg. Canetas falsas costumam ter marcações variadas ou irregulares.
  2. O idioma da embalagem: Medicamentos vendidos legalmente no Brasil devem ter rótulo e bula em português. Embalagens em espanhol ou inglês sem a devida importação autorizada são sinais claros de ilegalidade.
  3. Local de compra: A venda é permitida exclusivamente em farmácias licenciadas, mediante retenção de receita médica. Anúncios em redes sociais ou aplicativos de mensagem são, quase em sua totalidade, crimes contra a saúde pública.

​O mercado de contrabando, que traz produtos até dentro de pneus de veículos — como detectado em operações recentes na fronteira com o Paraguai —, ignora completamente a refrigeração necessária. Mesmo que o conteúdo fosse original, a oscilação de temperatura transformaria a substância em um composto tóxico ou inútil.

​A orientação final dos especialistas é unânime: não há atalho para a saúde. O uso de canetas emagrecedoras é um tratamento para doenças crônicas (obesidade e diabetes) e deve ser sempre monitorado por um endocrinologista.

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