Donald Trump anuncia tarifas de até 200% para a indústria de medicamentos genéricos importados nos Estados Unidos

WASHINGTON — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (21) uma nova ofensiva protecionista voltada ao setor de saúde. Em publicação em sua rede social, a Truth Social, o republicano informou que o governo americano passará a taxar a importação de medicamentos genéricos no país, com alíquotas que podem chegar a 200%. A medida visa pressionar os laboratórios a transferir suas cadeias de produção e instalações industriais para o território norte-americano.

​Pelo plano detalhado por Trump, os medicamentos genéricos importados continuarão isentos de tarifas adicionais (com alíquota de 0%) pelos próximos dois anos, valendo a partir de 1º de agosto de 2026. No entanto, a partir de agosto de 2028, passará a incidir uma tarifa de 100% sobre esses produtos durante o período de um ano. Após essa fase de transição, em agosto de 2029, a taxa será elevada para 200%.

​Repatriamento da produção farmacêutica

​A iniciativa amplia a política tarifária que a Casa Branca vinha aplicando a medicamentos patenteados e de marca, que anteriormente já haviam sido alvo de sobretaxas. Até então, os medicamentos genéricos vinham sendo poupados da incidência de tarifas diretas para evitar desabastecimentos ou impactos imediatos no custo dos tratamentos básicos da população.

​”Isso é feito com o objetivo de repatriar a produção farmacêutica genérica para os Estados Unidos, com penalidades para as empresas que decidirem não construir instalações e adquirir equipamentos dentro do prazo estabelecido”, afirmou o presidente na publicação.

​A estratégia da administração americana estabelece uma carência para que os grandes fabricantes internacionais de produtos farmacêuticos construam novas plantas em solo americano. Caso iniciem as obras dentro da janela estipulada de dois anos, as farmacêuticas poderão obter isenções das tarifas punitivas.

​Reações e desdobramentos no setor

​A decisão acendeu o sinal de alerta entre entidades representativas da indústria de saúde e analistas econômicos. Atualmente, uma parcela significativa dos insumos farmacêuticos ativos (IFAs) e dos remédios genéricos consumidos no mercado americano é produzida em países como Índia e China, além de nações europeias.

​Representantes do setor argumentam que a imposição de tarifas sobre genéricos — medicamentos que compõem a maior parte das prescrições do sistema de saúde americano por seu custo acessível — pode elevar o preço final para os consumidores e pressionar os custos de planos de saúde no país, caso a transição industrial não ocorra com a rapidez exigida pela Casa Branca.

​Trump, contudo, reforçou que as regras para medicamentos patenteados permanecem inalteradas e que o governo continuará utilizando a política de precificação de “nação mais favorecida” para negociar a redução de preços diretos com grandes corporações do setor farmacêutico.


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