O cenário do comércio exterior brasileiro encerrou o ciclo de 2025 com uma marca histórica: a China consolidou sua posição como o principal fornecedor do país, atingindo o recorde de US$ 35,7 bilhões em exportações para o Brasil. O volume representa 26% de todo o total importado pela economia nacional no último ano.
Esse avanço acelerado não altera apenas a balança comercial, mas redefine as estratégias logísticas e tributárias das empresas brasileiras. Diante desse panorama, lideranças empresariais e especialistas em logística se reúnem em Curitiba para discutir a viabilidade da importação direta e as novas barreiras regulatórias que surgem com o aumento da dependência do mercado asiático.
O novo patamar da relação Brasil-China
O crescimento das importações em 2025 foi impulsionado por setores de alta tecnologia, componentes eletrônicos e, notadamente, pela expansão da indústria de veículos elétricos e equipamentos de energia solar. Especialistas apontam que a eficiência produtiva chinesa e a consolidação de novas rotas marítimas facilitaram o fluxo, mesmo em um período de instabilidade em outras regiões globais.
Os principais destaques do recorde incluem:
- Maquinário e Eletrônicos: Manutenção do topo da lista de compras.
- Transição Energética: Aumento na compra de baterias e painéis fotovoltaicos.
- Bens de Consumo: Expansão do e-commerce transfronteiriço, que segue pressionando o varejo local.
Encontro em Curitiba foca em importação direta
Com o aumento da competitividade, o evento em Curitiba surge como uma resposta à necessidade de “cortar intermediários”. A importação direta tem sido a saída para empresas que buscam reduzir custos operacionais em até 30%, permitindo maior controle sobre a qualidade e os prazos de entrega.
“O recorde de 2025 mostra que a China não é mais apenas uma opção, mas a base de suprimentos de grande parte da indústria brasileira. O desafio agora é profissionalizar o acesso a esse mercado para mitigar riscos de câmbio e conformidade aduaneira”, afirma um dos consultores participantes do encontro.
Desafios e cenário para 2026
Apesar dos números robustos, o debate em Curitiba também aborda os “gargalos” desse crescimento:
- Protecionismo: O governo brasileiro tem sido pressionado por setores industriais locais para aplicar medidas de defesa comercial e rever alíquotas de importação para equilibrar a concorrência.
- Logística Portuária: O aumento do volume testou a capacidade dos portos do Sul e Sudeste, gerando discussões sobre investimentos em infraestrutura.
- Geopolítica: A necessidade de diversificação (o chamado friend-shoring) para não depender exclusivamente de um único parceiro global.
As discussões na capital paranaense devem nortear as decisões de investimento para o primeiro semestre de 2026, em um momento onde a eficiência na ponta da importação pode ser o diferencial entre o lucro e o prejuízo para o empresariado paranaense e nacional.




