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Fala sobre urnas vira munição contra tentativa de Flávio Bolsonaro de construir imagem moderada

Fala sobre urnas vira munição contra tentativa de Flávio Bolsonaro de construir imagem moderada

Brasília — As recentes declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) questionando a segurança das urnas eletrônicas durante uma reunião com diplomatas tornaram-se o centro de um novo desgaste político para a sua pré-campanha à Presidência da República. Avaliada por integrantes do Centrão e da oposição como um erro estratégico, a fala reacendeu a associação do parlamentar com as pautas mais radicais do bolsonarismo, prejudicando os esforços de articuladores para consolidá-lo como um candidato de centro-direita moderado.

​Durante o encontro com diplomatas e embaixadores estrangeiros, o pré-candidato repetiu a tese já desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que o sistema eleitoral brasileiro teria vínculo com a empresa venezuelana Smartmatic. A declaração repercutiu imediatamente nos bastidores do Congresso Nacional e entre potenciais aliados.

​Reação do Centrão e isolamento político

​Lideranças de partidos de centro classificaram o episódio como um “tiro no pé”. Para esse grupo, o resgate de pautas que contestam o sistema eleitoral reduz a capacidade de atração do eleitorado independente e afasta legendas fundamentais para a construção de uma aliança competitiva para as eleições.

​Figuras do setor, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), deram sinais de distanciamento, sinalizando resistências crescentes à consolidação de um apoio formal ao projeto do PL. Integrantes da articulação do Centrão avaliam que o movimento prejudica as negociações que vinham sendo travadas e amplia o risco de isolamento da candidatura.

​Oposição explora o desgaste

​Na esquerda, governistas e lideranças partidárias aproveitaram o episódio para emparedar o pré-candidato nas redes sociais e no debate parlamentar. O deputado Jilmar Tatto (PT-SP) chegou a questionar publicamente a participação do senador no pleito caso ele mantenha críticas à confiabilidade das urnas, enquanto influenciadores do campo governista utilizaram a fala para argumentar que a postura moderada de Flávio seria apenas uma fachada temporária.

​Recuo e recados da pré-campanha

​Diante do forte impacto negativo, a equipe do pré-candidato buscou conter os danos e divulgou uma nota na qual afirma que o parlamentar não coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro. Segundo a assessoria do senador, a defesa pelo envio de observadores internacionais busca apenas “reforçar a transparência” do sistema, e não contestar a legitimidade do resultado.

​Apesar da tentativa de contenção, interlocutores da pré-campanha reconhecem reservadamente o prejuízo no ambiente político e a dificuldade adicional imposta ao diálogo com o centro. Por outro lado, aliados mais alinhados ao núcleo duro bolsonarista minimizam os danos, argumentando que o tema preserva a base eleitoral mais fiel da direita.


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