Documentos revelam suposto esquema de arrecadação paralela envolvendo Guto Silva e campanha de Ratinho Junior

Um conjunto de documentos e áudios que chegou com exclusividade a esta redação levanta sérias suspeitas sobre a regularidade do financiamento de despesas remanescentes da campanha eleitoral de 2022 do governador Ratinho Junior (PSD). O material, que inclui um extrato consolidado de depósitos e transferências realizados entre 13 de junho e 28 de dezembro de 2022, aponta para uma estrutura de arrecadação supostamente coordenada por Guto Silva, atual secretário de Estado do Planejamento e um dos principais nomes cotados para a sucessão estadual em 2026.

​O “Jantar do Madalosso” e as listas de contribuintes

​O centro da controvérsia é um evento realizado em Curitiba, no tradicional restaurante Madalosso, citado nos documentos como o marco inicial para a quitação de “restos de campanha”. De acordo com as informações analisadas, não se tratou apenas de um encontro político, mas de uma operação estruturada que contaria com:

  • Lista de Presença: Controle rigoroso de quem compareceu ao evento.
  • Lista de Contribuintes: Registro nominal de doadores e valores repassados.
  • Pressão Hierárquica: O ponto mais sensível da denúncia indica que servidores comissionados e ocupantes de cargos de confiança teriam sido compelidos a realizar doações.

​Relatos contidos nos áudios sugerem que a contribuição era vista como “obrigatória” para a manutenção do prestígio político dentro da estrutura do governo, atingindo inclusive pessoas que sequer compareceram ao jantar, mas que figuram nos registros de depósitos.

​Contexto político e desdobramentos

​A denúncia surge em um momento de ebulição nos bastidores do Palácio Iguaçu. Com a proximidade das eleições de 2026, Guto Silva tem intensificado sua agenda como pré-candidato ao Governo do Paraná, disputando o espólio político de Ratinho Junior com nomes como Alexandre Curi.

​Historicamente, Guto Silva já enfrentou questionamentos sobre arrecadação em períodos eleitorais. Em 2019, o secretário foi citado em delações da Operação Lava Jato sob alegação de recebimento de recursos não declarados em 2014, acusações que ele sempre negou veementemente, classificando-as como “inverídicas”.

​A atual suspeita de utilização de servidores para sanar dívidas de campanha — o que pode configurar abuso de poder político e econômico, além de crime eleitoral — coloca a gestão sob pressão.

O que diz a lei: A legislação eleitoral brasileira veda estritamente a coação de servidores públicos para fins de doação de campanha. Além disso, toda arrecadação para quitação de dívidas eleitorais deve passar pelas contas oficiais do partido ou do candidato, com a devida transparência junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

​Transparência e defesa

​Até o fechamento desta edição, o Governo do Estado e a assessoria de Guto Silva não haviam se manifestado oficialmente sobre o teor específico dos novos extratos e áudios mencionados. O espaço permanece aberto para o contraditório.

​A gravidade dos documentos — que detalham lançamentos de crédito justamente no semestre posterior ao pleito de 2022 — exige uma investigação rigorosa dos órgãos de controle para determinar se houve a prática de “caixa dois” ou extorsão administrativa.

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