A corrida pelo Oscar 2026 ganhou um tempero tipicamente brasileiro e altamente inflamável nesta semana. Após o anúncio oficial da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que confirmou a indicação de Wagner Moura à categoria de Melhor Ator por seu papel em “O Agente Secreto”, o grupo humorístico Porta dos Fundos lançou a esquete “Wagner Moura Ingrato”, desencadeando uma onda de debates sobre política, cinema e os limites da sátira.
A polêmica: Humor ou provocação política?
Protagonizado por Fábio Porchat, o vídeo ironiza a temática recorrente de filmes brasileiros que abordam o período da ditadura militar — o exato pano de fundo do longa dirigido por Kleber Mendonça Filho, que rendeu a indicação a Moura. Na sátira, Porchat interpreta uma figura que exige gratidão dos artistas, sugerindo que atores como Wagner Moura e músicos como Caetano Veloso só alcançaram o sucesso graças ao “legado” deixado pelos militares, fornecendo conteúdo para suas obras.
A esquete não poupou críticas aos editais de fomento à cultura e até mencionou os eventos de 8 de janeiro, o que provocou reações imediatas. De um lado, internautas aplaudiram a acidez do grupo em expor contradições do cenário político-cultural; de outro, grupos ligados a militares e setores conservadores receberam o conteúdo como um “abuso” e uma desonra às instituições.
Wagner Moura: Do Globo de Ouro à elite de Hollywood
Enquanto o humor gera faíscas no Brasil, a carreira internacional de Wagner Moura vive seu apogeu. A indicação ao Oscar, confirmada na última quinta-feira (22), veio na esteira de uma vitória histórica no Globo de Ouro, onde o baiano desbancou nomes como Leonardo DiCaprio e Timothée Chalamet para levar o prêmio de Melhor Ator em Drama.
“O Agente Secreto” tornou-se um fenômeno de crítica, garantindo ao Brasil não apenas a chance de atuação, mas também indicações em categorias técnicas e a de Melhor Filme Internacional. A reação de colegas de profissão na cerimônia do Globo de Ouro, como o semblante de surpresa de Oscar Isaac e o entusiasmo de The Rock, já havia viralizado, pavimentando o caminho para o burburinho que agora culmina com a lista da Academia.
O cenário atual
A indicação de Moura é a primeira de um brasileiro na categoria de Melhor Ator, quebrando um jejum e consolidando o cinema nacional no mercado global após o sucesso de Fernanda Torres com “Ainda Estou Aqui” no ano anterior.
A polêmica do Porta dos Fundos, embora local, reflete a polarização que ainda cerca obras que tocam em feridas históricas do país. Wagner Moura, em seus discursos de agradecimento, tem reforçado a importância da memória e da cultura brasileira: “A gente já foi longe. Este filme é sobre a nossa memória, ou a falta dela”, afirmou o ator após sua última vitória.
A cerimônia do Oscar 2026 está marcada para o dia 15 de março, e até lá, o Brasil segue entre memes, críticas e uma torcida fervorosa por sua primeira estatueta de atuação.




