O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, decidiu nesta quinta-feira (22 de janeiro de 2026) pelo arquivamento do pedido protocolado por parlamentares da oposição que buscavam o afastamento do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), da relatoria do processo envolvendo o Banco Master.
Entenda o caso e os argumentos apresentados
A representação foi encabeçada pelos deputados Caroline de Toni (PL-SC), Carlos Jordy (PL-RJ) e Adriana Ventura (Novo-SP). O grupo alegava a existência de um conflito de interesses e pedia a declaração de suspeição e impedimento de Toffoli com base em dois pilares principais:
- Viagem em jatinho particular: O ministro viajou para Lima, no Peru, para assistir à final da Libertadores, na mesma aeronave que o advogado Augusto de Arruda Botelho, defensor de executivos ligados ao Banco Master.
- Relações comerciais familiares: Reportagens recentes indicaram que familiares do magistrado teriam negociado cotas de um resort no Paraná com um fundo ligado à Reag Investimentos, empresa que estaria conectada à rede de negócios do Banco Master.
A decisão da Procuradoria-Geral da República
Em seu despacho, Paulo Gonet afirmou que não há providências a serem tomadas pela PGR no momento. A avaliação técnica do órgão é de que os fatos narrados, até agora, baseiam-se majoritariamente em notícias veiculadas pela imprensa e não possuem elementos probatórios suficientes nos autos para justificar o afastamento de um ministro da Corte.
Integrantes da cúpula da PGR também ponderaram que tentativas similares de afastar ministros durante a Operação Lava Jato resultaram em nulidades processuais e insegurança jurídica, o que reforçou a cautela na análise atual.
Reações e o contexto da “Operação Compliance Zero”
A decisão de Gonet foi defendida pelo decano do STF, ministro Gilmar Mendes, que classificou o arquivamento como uma demonstração do “funcionamento regular das instituições”. O ministro Edson Fachin também manifestou apoio à atuação de Toffoli, afirmando que o tribunal não se curvará a pressões externas.
Enquanto isso, a investigação sobre o Banco Master — agora sob a Operação Compliance Zero — ganha novos contornos:
- Liquidação Extrajudicial: O Banco Central decretou a liquidação de instituições ligadas ao grupo, como a Will Financeira, por insolvência.
- Quebra de Sigilo: Recentemente, Toffoli autorizou a quebra de sigilo fiscal e bancário de diversos investigados e o bloqueio de até R$ 5,7 bilhões em bens.
- Conflitos com a PF: O caso também registra tensões entre o ministro e a Polícia Federal, após Toffoli determinar que provas apreendidas fossem entregues lacradas ao STF antes da análise pericial, decisão que ele reconsiderou posteriormente.
A oposição já sinalizou que pretende apresentar novos pedidos de suspeição com “elementos inéditos” e focar os esforços em uma CPMI no Congresso para investigar o que chamam de “maior escândalo bancário da história recente”.




