Acadêmicos de Niterói aposta em Milton Cunha para narrar trajetória de Lula como “jornada do herói” na Sapucaí

O Carnaval do Rio de Janeiro ganha um tom de épico político e social com o anúncio oficial dos detalhes do enredo da Acadêmicos de Niterói. Em declaração feita nesta sexta-feira (23), o carnavalesco e pós-doutor em Narrativas de Carnaval, Milton Cunha, revelou que a escola levará para a Avenida a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sob uma perspectiva mitológica e educacional.

A proposta de Cunha não é apenas uma biografia linear, mas sim uma aplicação prática da estrutura narrativa conhecida como A Jornada do Heroi. Segundo o carnavalesco, essa escolha visa transmitir valores e mensagens universais através da figura do “menino Luiz Inácio”.

A estrutura do desfile: Do assombro à superação

De acordo com Milton Cunha, o desfile será dividido em atos que exploram as dificuldades e a ascensão do personagem central. O ponto de partida é o cenário de escassez e os desafios do Nordeste brasileiro.

  • O País Assombrado: A abertura focará nas “assombrações” da infância de Lula, representando a fome, a seca e a desigualdade que cercavam sua família antes da migração para o Sudeste.
  • O Chamado à Aventura: A transição para a vida operária e o despertar da consciência sindical.
  • A Educação e o Valor: O enredo pretende utilizar a história para “comunicar educação”, focando no impacto social da trajetória do retirante que chegou à presidência.

Contexto e Expectativas para 2026

A Acadêmicos de Niterói, que vem consolidando seu espaço no cenário do samba, busca com este enredo não apenas impacto visual, mas um debate sobre a identidade brasileira. A escolha de Milton Cunha — uma das figuras mais respeitadas do Carnaval — eleva a escola ao patamar de favorita para o título do Grupo de Acesso/Especial, dependendo das últimas apurações de regulamento.

“É uma forma de comunicar educação e valor. A jornada começa com um país assombrado, mas é através da resiliência que a mensagem se completa”, afirmou Milton Cunha.

O que esperar na Avenida

  1. Estética de Conto de Fadas Social: Uso de alegorias que misturam o realismo da vida do operário com elementos lúdicos do folclore nordestino.
  2. Narrativa Acadêmica: Por ser especialista no tema, Cunha deve trazer um rigor conceitual raro, fugindo do óbvio “panfletário” para focar na simbologia do herói popular.
  3. Engajamento: A expectativa é de uma arquibancada vibrante, dado o apelo popular da figura central.

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