Saúde intestinal: a chave para a rentabilidade e sustentabilidade na suinocultura moderna

A busca por eficiência na suinocultura brasileira atingiu um novo patamar de exigência. Com margens de lucro cada vez mais estreitas e um mercado global rigoroso quanto ao bem-estar animal, especialistas do setor apontam que a resposta para uma produção de alta performance não está apenas no que o suíno come, mas em como ele absorve esses nutrientes.

O equilíbrio da microbiota como motor de produtividade

A saúde intestinal deixou de ser um conceito abstrato para se tornar o pilar central da rentabilidade nas granjas. Segundo Mariana Rosetti, coordenadora de produtos da MCassab Nutrição e Saúde Animal, o sucesso do produtor depende diretamente do equilíbrio da microbiota intestinal e do controle metabólico do plantel.

“As soluções tecnológicas têm se mostrado essenciais para superar os desafios sanitários e nutricionais e, assim, contribuir para o sucesso da suinocultura”, afirma Rosetti.

Quando o intestino do animal está saudável, ele atua como uma barreira eficiente contra patógenos e, simultaneamente, como uma superfície otimizada para a absorção de nutrientes. Isso se traduz em um melhor Índice de Conversão Alimentar (ICA), reduzindo o desperdício de ração e acelerando o ganho de peso.

Inovações e tendências para 2026

O cenário atual da suinocultura, atualizado por pesquisas recentes de mercado e avanços biotecnológicos, destaca três frentes principais de inovação:

  • Aditivos Fitogênicos e Ácidos Orgânicos: Com a crescente restrição global ao uso de antibióticos promotores de crescimento, o mercado tem adotado alternativas naturais que fortalecem a integridade da mucosa intestinal.
  • Nutrição de Precisão: O uso de softwares e sensores que monitoram o consumo em tempo real permite ajustes na dieta que evitam sobrecargas metabólicas, mantendo o pH intestinal em níveis ideais.
  • Fibras Funcionais: Novas abordagens nutricionais utilizam fibras específicas para alimentar as “bactérias boas” (probióticos), garantindo que o sistema imunológico do suíno esteja sempre alerta, mas sem gastar energia desnecessária com inflamações.

Impacto na sustentabilidade

Além do ganho financeiro, a saúde intestinal tem um papel crucial na sustentabilidade ambiental. Suínos com o trato digestório saudável excretam menos nitrogênio e fósforo no meio ambiente. Isso ocorre porque a digestão mais completa dos ingredientes reduz a carga poluente dos dejetos, facilitando o manejo nas propriedades e atendendo às exigências do licenciamento ambiental.

Para os próximos anos, a tendência é que a integração entre genética de ponta e saúde intestinal molde o perfil do produtor brasileiro, consolidando o país como o principal player na exportação de proteína suína de alta qualidade.

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