A administração do prefeito Adriano Ramos (Republicanos) enfrenta sua primeira grande crise ética após a viralização de um Boletim de Ocorrência (B.O.), registrado no último dia 22 de janeiro, que detalha uma denúncia de assédio sexual supostamente ocorrido dentro das dependências da Prefeitura de Paranaguá. O silêncio institucional das autoridades locais tem alimentado críticas da população e gerado comparações inevitáveis com o discurso de “moralidade administrativa” defendido pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior.
O Caso e a Reação Popular
Diferente de boatos sem fundamento, a denúncia ganhou materialidade com a circulação da cópia do registro policial. Segundo o documento, uma servidora ou cidadã (os detalhes seguem protegidos por sigilo) teria sido vítima de conduta imprópria por parte de um agente público em horário de expediente.
Nas redes sociais e nas ruas de Paranaguá, o sentimento é de cobrança. A população questiona:
- A responsabilidade do gestor: Por ser o chefe do Executivo, o prefeito Adriano Ramos é juridicamente e politicamente responsável pelo que ocorre nas repartições públicas. A ausência de uma manifestação imediata é vista por especialistas em gestão pública como um erro estratégico que fragiliza a confiança do eleitorado.
- O silêncio do Legislativo: A Câmara Municipal de Paranaguá também se mantém inerte. Até o momento, nenhuma nota oficial foi emitida pela presidência da Casa ou por comissões de defesa dos direitos da mulher, o que amplia a sensação de “blindagem política”.
Ética na Prática: O Exemplo do Estado
O governador Ratinho Junior frequentemente utiliza o Paraná como vitrine de integridade para o país. No entanto, o caso em Paranaguá coloca essa retórica à prova. Em grandes órgãos públicos e empresas privadas de compliance rigoroso, o protocolo padrão é o afastamento preventivo ou a exoneração do acusado até que as investigações sejam concluídas.
A manutenção do suposto agressor no cargo, segundo a opinião pública parnanguara, contraria os princípios de igualdade perante o Estado e proteção à vítima.
Fake News ou Fato Político?
Embora aliados da gestão tentem classificar o episódio como fake news de oposição, a existência de um Boletim de Ocorrência oficial protocolado na Polícia Civil desmente a tese de mera invenção. O B.O. é um documento público que gera obrigação de investigação pelo Estado e, consequentemente, uma resposta administrativa da Prefeitura.
Perguntas que a Prefeitura ainda não respondeu:
- Qual medida administrativa foi tomada em relação ao servidor acusado desde o dia 22/01?
- Existe uma sindicância interna aberta pela Controladoria Geral do Município?
- Por que não houve o acolhimento público da denúncia para garantir transparência?




