Com a desistência de Tarcísio, caminho está livre para Ratinho Junior colocar candidatura na rua

POR UM NOVO CENÁRIO NA DIREITA — O tabuleiro político para as eleições presidenciais de 2026 sofreu uma alteração decisiva nos últimos dias. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sinalizou de forma contundente que não pretende disputar o Palácio do Planalto, optando por buscar a reeleição no maior estado do país. Com esse recuo, o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), surge como o principal herdeiro do espólio político de centro-direita que busca uma alternativa de gestão eficiente e menos polarizada.

​A decisão de Tarcísio foi consolidada após diálogos internos e um alinhamento estratégico com o clã Bolsonaro. Recentemente, o governador paulista afirmou que “vai trabalhar muito em prol de Flávio Bolsonaro”, referindo-se à pré-candidatura do senador (PL-RJ), escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como seu sucessor direto. Ao se retirar do páreo nacional, Tarcísio evita um embate direto com a família Bolsonaro e foca em manter o controle da máquina paulista, considerada vital para a sobrevivência da oposição.

O avanço de Ratinho Junior

Livre do principal concorrente que ocupava o mesmo campo ideológico, Ratinho Junior começou a “colocar o bloco na rua”. De acordo com informações de bastidores, o governador paranaense já se reuniu com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, para definir os detalhes de uma ampla pesquisa eleitoral nacional que servirá de baliza para o tom de sua campanha.

​Diferente de outros nomes da direita, como Ronaldo Caiado (Goiás) e Romeu Zema (Minas Gerais), que enfrentam maiores resistências no centro, Ratinho Junior aposta em sua altíssima aprovação no Paraná — que chega a superar os 80% — e na imagem de um gestor jovem e pragmático. Kassab, um articulador nato, vê em Ratinho o nome ideal para romper a polarização entre o lulismo e o bolsonarismo raiz, atraindo o eleitorado moderado.

Últimas novidades e desafios

As movimentações mais recentes indicam que o PSD pretende dar contornos nacionais à imagem do governador paranaense já no primeiro semestre deste ano. No entanto, o caminho não está isento de obstáculos:

  • Polarização: O Palácio do Planalto, sob o governo Lula, ainda aposta em uma disputa polarizada com a família Bolsonaro para manter sua base mobilizada, minimizando nomes de terceira via.
  • Alianças: Ratinho Junior precisará costurar apoios fora da região Sul. Sua estratégia inclui diálogos com o setor do agronegócio e com lideranças do Sudeste que ficaram “órfãs” da candidatura de Tarcísio.
  • Fator Flávio Bolsonaro: Com Tarcísio fora, a pressão para que a direita se unifique em torno de Flávio Bolsonaro crescerá, testando a resiliência da candidatura própria do PSD.

​A desistência de Tarcísio de Freitas não apenas reorganiza a oposição, mas lança sobre Ratinho Junior o desafio de provar que sua gestão no Paraná pode ser replicada em escala federal. O “bonde presidencial” do PSD já ligou os motores, e as próximas semanas serão decisivas para medir a temperatura desse novo projeto político.

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